Um dia no maior evento de tecnologia em educação do mundo

por: Gabriela

Estive no EdTech Week, em Nova Iorque, nos Estados Unidos, nos últimos dias 18, 19 e 20 de dezembro de 2017. Este evento, que é reconhecido como um dos maiores de Tecnologia em Educação do mundo, abordou temas que vão desde a educação infantil até inovações para o ensino superior, além de discutir habilidades necessárias para a vida profissional. Em nome da Pearson, a maior empresa de educação no mundo e uma das patrocinadoras, estive lá para acompanhar e, claro, para aprender!

 

Durante os três dias de painéis, palestras e “pitches” (apresentações voltadas ao setor de investimentos), pude mensurar como a educação é uma das áreas que está passando por uma das maiores transformações generalizadas, sendo impactada diretamente por toda a vibrante revolução tecnológica e informativa que estamos vivendo.

 

 

De tudo que vi, vivi e aprendi nesses dias, destaco as três grandes transformações que já não são mais vistas como uma possibilidade futura, mas sim como a atualidade das discussões voltadas à educação:

 

Educação Socioemocional: As habilidades consideradas não-cognitivas, tão citadas em artigos e debates em educação, devem estar presentes desde o início da formação escolar, porém, existem diversas formas de engajar os alunos a desenvolverem essas competências. De tempos pra cá, o ambiente escolar não é mais visto pelos pais como um lugar só para aprender e ter acesso a conteúdos, ou somente “para passar no vestibular”. Hoje, as escolas sentem que já têm a responsabilidade, mesmo que indireta, de formar os alunos nas competências emocionais tanto as habilidades quanto as inteligências. Este ideia é tão falada pois estamos lidando com uma geração que possui novos hábitos, associados ao acesso digital e a um contato menos pessoal e mais virtual, além de referências pessoais muito diferentes uma das outras.

 

A educação socioemocional tem o objetivo de desenvolver nos alunos, atitudes e comportamentos que ajudem-no a lidar, de forma eficaz e ética, com situações e desafios diários. Foram apresentados várias soluções, porém, a quem mais me chamou atenção foi a parte de games! Isso mesmo: são muitos jogos com a finalidade a desenvolver habilidades intrapessoais, interpessoais e cognitivas. E estes jogos foram criados a partir do design emocional, associado a games não de educação, ou seja, o aluno está jogando, aprendendo, desenvolvendo habilidades, porém, por ser um dispositivo engajador, não é percebido como uma obrigação de estudo. Esse tipo de game é chamado de “serious game”- jogos cujo propósito não é o entretenimento, mas sim o de transmitir um determinado conteúdo ou propiciar um espaço de prática de conhecimentos junto ao seu público-alvo.

 

Inteligência artificial: O objetivo principal di desenvolvimento de uma inteligência artificial (IA) é fazer com que máquinas / computadores pensem igual – e até mais rápido – que o ser humano. No evento, vi grandes players de tecnologia no mercado, que estão investindo pesado no desenvolvimento de IA’s voltadas à educação, como Facebook, Google, IBM e Sales Force. A IA é pensada como uma forma ilimitada de possibilidades, com opções “simples”, como tirar uma dúvida do aluno de forma imediata, até possibilidades mais complexas, das quais ainda desconhecemos suas totalidades, como criar uma inteligência capaz de produzir a aprender diferente da nossa. Quando pensamos nessa arma poderosa, podemos associar ao dia a dia dos alunos, ou seja, estar presente como um hábito de estudo para que os dados de performance e progresso estejam mapeados e, assim, proporcionar um aprendizado personalizado, eficiente e ainda mais engajador. Mais uma vez, os games estavam presentes como soluções diferenciadas e que, com o uso da inteligência artificial, acompanham e gravam as ações do usuário, oferecendo de forma dinâmica e personalizada os desafios e caminhos, monitorando o nível e progresso, e tornando ele sempre engajador, direcionado para aquisição de conhecimento de acordo com o perfil.

 

Leia mais: Desmistificando inteligência artificial nas escolas. 

 

Big Data: Investidores, administradores de startups e grandes players do mercado falaram muito sobre a importância do uso inteligente dos dados gerados pelo aprendizado do aluno. Um big data para a educação nada mais é do que oferecer inúmeras possibilidades de se aprender mais e melhor. De uma forma simples, um big data é um conjunto de dados e informações que precisa de um sistema para ser interpretado. Na prática, tudo que exige busca, em meio a muitas informações, pode fazer uso de big data. Atualmente, temos como exemplo os sites de compras on-line. Na educação, as plataformas de tecnologia educacional conseguem acompanhar e avaliar esse aluno que acessa a internet. A medida que ele completa um estudo, finaliza um exercício, um simulado, participa de grupo de discussão, busca youtubers pra tirar dúvidas, e muitas outras formas de utilização da internet, este sistema identifica os assuntos que ele domina e também prevê as lacunas que precisam ser preenchidas. Com isso, o sistema de Big Data consegue criar um roteiro de estudo, com novas atividades que auxiliam esse aluno a progredir no aprendizado. Já para o professor ou coordenador, o big data é o grande aliado para uma aula mais efetiva e eficiente, afinal, esses dados podem ser analisados no sentido de otimizar o tempo na sala de aula, melhorar o feedback dos alunos e direcionar um aprendizado personalizado. Isto pode chegar a uma orientação de novos formatos de ensino, de acordo com o perfil da turma. Um grande desafio para isso é unir a visão pedagógica com a análise de dados, tornando essa frente uma grande solução para problemas de aprendizagem.

 

Por fim, também tivemos o painel Pearson Pitch, no qual contamos com a presença de cinco startups, cada uma das quais apresentando soluções digitais para os problemas da educação no mundo. Entre elas, a Pearson selecionaria uma para receber investimentos. Conheça o projeto escolhido, o Edquity. Nele, através do perfil do aluno, uma plataforma ajuda a escolher a melhor opção de universidade e sugere a melhor forma de financiamento para este aluno.

 

Por fim, o que mais notei e recebi do EdTech Week foram os sentimentos de emoção e inspiração. Estes dias de reflexão funcionaram como os bons processos de aprendizado, que nos deixam com mais perguntas e provocações do que respostas concretas e soluções rápidas.

Alguns dos questionamentos que obtive foram:

 

  • Como dar escala para essas novas tecnologias e impactar a vida de milhões de estudantes e não somente de uma minoria?
  • Como desenvolver uma cultura de uso de dados de forma contínua e inteligente não só dentro da Pearson como também para nossos parceiros?
  • Como trazer o professor cada vez mais perto para fazer parte dessa transformação?
  • Como a IA, associada a UX?, pode transformar o engajamento do aluno e com isso obter melhores resultados de aprendizagem?
  • Como explorar o emocional como alavanca de performance dos alunos, tanto dentro como fora da sala de aula?

Sigo como o lema da Pearson: aprendendo sempre!

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