Storytelling: alunos, histórias e jogos – Parte 3

por: Sérgio Campelo

Nos textos anteriores, aprendemos sobre como é importante escrever uma boa história, como estruturá-la e como se desenvolve a jornada do personagem principal. Neste artigo, vamos entender como tornar a narrativa mais dinâmica, com níveis crescentes de dificuldade, para que se torne adequada ao mundo dos jogos.

 

Leia a sinopse, abaixo, desenvolvida por um dos nossos alunos do curso de Storytelling: desenvolvendo histórias e narrativas para o mundo dos jogos:

 

Gagaguerin e os Andróides Estelares

 

Em Gagaguerin e os Androides Estelares, Gagaguerin (personagem principal) e seu irmãozinho Aypi (personagem secundário, aliado) devem resgatar seus amigos raptados pelos Robôs Esteláticos (vilões) vindos do planeta Born (cenário). Para isso, utilizarão sua nave espacial e armas poderosas (objetos) para invadir o planeta. Enquanto procuram seus amigos raptados, terão que destruir vários inimigos, até chegarem ao Mestre Robô (vilão principal).

 

Durante a empreitada, contarão com ajuda de Flip (mentor), um pequeno computador que acompanha Gagagerin nas suas viagens espaciais. Flip ajudará Gagagerin rastreando os caminhos no planeta Born, utilizando-se de suas funções magnéticas para localizar inimigos e possíveis explosivos colocados pelos Robôs Esteláticos. Após atravessar todos os obstáculos do planeta Born, Gagaguerin e seu irmãozinho Aypi entrarão no Castelo Espacial (mais um cenário), um castelo suspenso onde enfrentarão o Mestre Robô. Após derrotá-lo, Gagaguerin e Aypi conseguem a Chave Mestre da prisão (objetivo principal), e o jogo termina com a libertação de seus amigos.

 

Na sinopse, acima, percebemos que todos os elementos necessários ao desenvolvimento da história foram utilizados: o personagem principal (Gagaquerin), um aliado para dar apoio ao personagem principal (Aypi), um mentor ou guia (Flip), vilões e cenários. Além disso, a sinopse já projeta, quando se refere aos vários inimigos que deverão ser destruídos até a chegada ao vilão principal, um crescimento dos níveis de dificuldades para o personagem principal durante sua jornada. O crescente aumento de dificuldades favorece o desenvolvimento da narrativa, dinamizando a história e obrigando nosso personagem a adquirir novas competências (ferramentas, bônus ou mais vidas) para que consiga ultrapassar as fases do jogo e vencer os vilões mais difíceis.

 

Etapas mais difíceis durante o jogo fazem com que sua energia se mantenha do início ao fim. Esta série de eventos devem estar relacionados a um personagem, conflitos que precisam ser resolvidos e que, tendo vários impedimentos, torna sua resolução dificultosa para a conclusão da história. Para solucioná-los, o personagem deverá crescer em ferramentas e competências. Só assim poderá progredir e nossa história no jogo se tornará mais atraente, até o enfrentamento final.

 

Os conflitos na história dividem-se em cinco etapas, e podem acontecer várias vezes durante o jogo, dentro até de uma mesma fase:

 

Introdução: apresentação da situação inicial do personagem;
Ação crescente: situação que provoca o surgimento do conflito;
Clímax: Enfrentamento do problema, momento do embate;
Ação decrescente: Situação do personagem após o conflito, momento de descanso;
Resolução: retorno à situação inicial, fim do conflito.

 

 

Entenda que as etapas acima referem-se aos diversos conflitos que surgirão durante a história relacionados ao primeiro e principal conflito que orienta toda a narrativa. São dois arcos: um que se refere ao principal conflito que surge no início da história e outro que se referem aos conflitos que acontecem durante a história, que serão desenvolvidos em um nível crescente de dificuldade para que a resolução do conflito inicial aconteça. No exemplo da história do Gagaguerin e os Andróides Estelares, o principal conflito é o rapto de seus amigos, e os conflitos menores são todas as etapas para sua resolução até à chegada ao Mestre Robô. Esse principal conflito orienta todos os outros que se referem às fases do jogo. Fácil, não?!

 

O nível crescente de dificuldades está amparado na Teoria do Flow (ou teoria do fluxo), de Mihaly Csikszentmihalyi. Nesta teoria, o professor comprova que o crescimento dos níveis de habilidade e de desafios devem ser desenvolvidos juntos, para que nosso envolvimento com a atividade se torne mais produtivo.

 

 

Nos games, o desenvolvimento das dificuldades devem crescer no ritmo da habilidade do jogador, para que este não fique entediado, preocupado ou ansioso (caso necessite de uma imagem do gráfico, envio em anexo). Quando as habilidades crescem concomitantemente aos desafios, fica mais fácil chegar ao estágio final. Se tenho pouca habilidade e o desafio é mais difícil, não prossigo. Se tenho muita habilidade e o desafio é fácil, fico entediado.

 

Sugestão de atividade: na Parte 2, solicitamos aos alunos para que criassem sua história tendo como referência o conto “Chapeuzinho Vermelho”. Peça para eles acrescentarem outros vilões, cenários e níveis crescentes de dificuldade.

 

No próximo artigo, finalizaremos nossa jornada com a adaptação da história ao mundo dos jogos. Até lá!

+ Leia a Parte 1.

++ Leia a Parte 2.

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