Protagonismo dos alunos e pioneirismo dos professores

por: Sérgio Campelo

É um sofrimento para nós nós, professores, após toda aquela longa explicação teórica, todo aquele conteúdo escrito na lousa e após a sessão de “despejo” de todo nosso repertório intelectual, receber a atividade feita pelo aluno que não atende à expectativa almejada. Vamos refletir: a sala de aula não atinge a média de avaliação estimada? Por quê? O que está faltando? Onde foi que eu errei?

 

Vamos abordar um dos possíveis motivos, entre tantos outros.

 

Recentemente, conversando com colegas professores, notei que continuamos com aquele problema ainda recorrente em muitas de nossas escolas: o professor continua se inserindo no processo de ensino e aprendizagem como o paladino do saber, utilizando-se apenas de sua retórica para ensinar os alunos o conteúdo programado e ignorando outros métodos que podem servir para intermediar e contribuir com a transferência do conhecimento.

 

Cria-se, então um dilema: 

 

As Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC’s) vieram para renovar esse processo com a proposta de tornar a rotina de ensino mais atraente, criativa e inovadora, afinal, estamos de frente com uma geração que tem a tecnologia fazendo parte do seu dia a dia, nas mais simples atividades do cotidiano.

 

Com isso, cresceu o processo de incentivo e capacitação dos professores, processo esse que tenta “diluir” a resistência de quem não nasceu com a tecnologia, e esse investimento têm obtido avanços, ainda que a passos de tartaruga.

 

Confira exemplos de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC’s).

 

Leia mais: Produtores de tecnologia educacional estão sob pressão.

 

No entanto, o cenário de tecnologia na educação não é animador: computadores em salas de aula sem utilização, projetores que nunca são ligados e falta de conhecimento/interesse sobre jogos e brincadeiras em dispositivos digitais, prejudicando o que poderia fortalecer o processo de ensino-aprendizagem e construção do conhecimento.

 

Talvez todos esses recursos sejam ignorados pois o professor tenha uma crença de que sua figura será diminuída pelo uso dessas ferramentas, além da falta de tempo em imergir nestes novos produtos para poder inseri-los com propriedade no cotidiano escolar.

 

Concorremos hoje (entendendo o verbo “concorrer”, neste contexto, como “procurar atingir, simultaneamente, um mesmo objetivo”) com youtubers, gamers e outras personalidades da contemporaneidade. O professor precisa fazer valer sua diferença neste cenário, atraindo o aluno para mais perto de sua atuação e tornando-se um mediador no processo de capacitação.

 

Acredito que seja dessa forma que ele se destacará, tornando-se um importante instrumento no processo de aprendizagem. Mediar é fazer parte, construir junto e facilitar o aprendizado, dando autonomia ao aluno na busca do conhecimento.

 

Participando, o aluno interage. Interagindo, ele foca na atividade e deixa para fora da sala de aula as eventuais distrações que possam atrapalhar sua aprendizagem. E, para começar, é necessário que todos nós, educadores, comecemos a reconhecer o novo cenário e tracemos um novo objetivo em nossa atuação.

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