Projeto promove a importância das brincadeiras familiares

por: Camila Carvalho Murad Tolentino

Sou professora de Educação Física e pós graduada em Educação Física Escolar e Psicomotricidade. Os eixos estruturantes das práticas pedagógicas da educação básica são as interações e a brincadeira, experiências nas quais as crianças podem construir e apropriar-se de conhecimentos por meio de suas ações e interações com seus pares e com os adultos, o que possibilita aprendizagens, desenvolvimento e socialização.

 

Segundo a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a criança tem seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento que devem ser assegurados para que ela tenha condições de aprender e se desenvolver são eles: conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se. O projeto foi implantado na Escola Municipal Pixuquinha, em Taboão da Serra (SP).

 

Desde cedo, a criança se move e emprega o seu corpo como forma de procedimento. Ao sentir dor ou fome, ela usa seus recursos correspondentes como choro, às gesticulações e os movimentos dos membros para transmitir o que está sentindo. Com o advir do tempo, ela adquire mais desenvolturas e passa a dominar cada vez mais seus movimentos. O movimento se apresenta de várias maneiras e é formidável para a criança se incluir “o outro”, para que ela se comunique e descubra seu espaço.

 

Em um mundo no qual 50% dos pais afirmam não terem tempo para brincar com seus filhos e 84% das famílias recorrem ao uso de aparelhos eletrônicos, o movimento se torna cada vez menor, aumentando o índice de crianças sedentárias e obesas. As crianças precisam que seus pais encontrem tempo, em suas agendas, para brincadeiras, mesmo, que por apenas 15 minutos diários.

 

O projeto foi desenvolvido depois de observar uma certa carência emocional dos alunos (alguns buscam pela afetividade que sentem não ter em casa), pensei em propor algo que unisse prazer e diversão para as crianças, e essa aproximação fosse efetiva na rotina deles.

 

Para a criança, o que importa é o momento de interação, e não tanto a brincadeira ou o brinquedo utilizado, uma vez que, para ela, tudo pode se tornar lúdico.

 

Além de ser uma figura fundamental em momentos sérios da criação dos filhos, o pai também é essencial para ensinar que há momentos de diversão, mais livres da rotina e importantíssimos ao desenvolvimento saudável da criança. Ao se envolver em brincadeiras dinâmicas, levando os filhos a explorar o mundo ao ar livre, os pais os instigam a usar o corpo, correr, se aventurar e se arriscar.

 

Esse risco de errar e se machucar, quando assumido com a participação de um adulto, estimula a criatividade, a proatividade e a resiliência da criança, além de formar memórias e estreitar laços com os pais, que se tornam um exemplo a ser seguido e um porto seguro. Portanto, acredito que devemos propiciar aos nossos alunos o contato com o movimento e a brincadeira, através deste projeto contando com a parceria das famílias para incentivar e estimular o habito de se movimentar através da prática das brincadeiras, tornando um ato prazeroso e de rotina para todas as crianças.

 

O objetivo geral é proporcionar às crianças a rotina de se movimentar através da afetividade e brincadeiras com os pais.

 

Objetivos específicos:

 

– Possibilitar a integração e afetividade dos pais com os filhos através do projeto;
– Proporcionar aos pais a rotina de brincarem com seus filhos;
– Resgatar as brincadeiras e usar a imaginação;
– Incentivar mais o movimento e sua importância;
– Mostrar que não precisamos de materiais e nem de brinquedos para poder brincar;
– Estabelecer a importância do brincar para os pais e filhos;
– Combater o sedentarismo e obesidade na Educação Infantil;
– Estabelecer parceria com as famílias.

 

A metodologia é comunicar-se com os colegas e os adultos, interações e brincadeiras, respeito às regras e aos materiais de uso comum, controle corporal, noção espacial, tonicidade, equilíbrio, coordenação global, coordenação fina, concentração, atenção, imaginação, motivação, reconhecimento, afetividade, divertimento, prazer e interesses próprios.

 

O projeto foi norteado pelas brincadeiras que previamente selecionei com intuito de proporcionar mais afetividade e movimento entre pais e filhos.

 

O trabalho foi desenvolvido da seguinte forma:

– Confeccionei uma mochila viajante.
– A cada final de semana uma criança foi sorteada para levar para casa a mochila com: um caderno, um estojo com lápis de cor, apontador, lápis de escrever, uma borracha e uma caneta. Uma corda, um pião, um pirocóptero, uma peteca, um pé de lata, um boliche e três argolas.
– Os pais da criança sorteada brincaram de maneira livre com seus filhos e na segunda-feira enviavam a mochila novamente para a escola.
– Após as brincadeiras as crianças fizeram um registro no caderno através de desenhos, colagens, dobradura, foto e tudo o que a imaginação mandava, lembrando-se de colocar o nome e a data.
– Na segunda folha os pais e/ ou responsáveis responderam como foi a experiência de ter esta mochila no final de semana em casa, seja através de um pequeno relato, foto, colagem, dobradura e tudo o que a imaginação mandar, lembrando-se de colocar o nome também.
– No dia estipulado, a criança que levou a mochila contava para os demais colegas como foi à experiência.

 

Os familiares fizeram um registro de como foi levar o “Movimento Viajante” para casa. E o retorno foi muito positivo! Eles adoraram a proposta e a maioria já conseguiu alterar a rotina para incluir as brincadeiras dentro de uma programação diária. Para mim, o maior exemplo desse projeto é colocar em evidência o prazer que os alunos sentem nas aulas de Educação Física e pelo movimento, levando esses momentos para dentro da casa de cada um.

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