Professores de inglês: o “presente perfeito”, sem medo

por: Rodolfo Matiello

Acredito que a grande maioria dos professores de inglês já ouviu os alunos, independente da faixa etária, reclamarem que o tal present perfect é difícil e que não temos esse tempo verbal em português e, por isso, é muito mais complicado de se entender e fazer com que os alunos entendam. Talvez esteja na hora de mudar esse cenário (comentário) e a tecnologia pode ser a ferramenta fundamental para isso.

 

Quando o conteúdo da aula é para se trabalhar o famoso (e temido) present perfect, muitos professores trabalham com uma linha do tempo e tentam ensinar descritivamente ou indiretamente como funciona esse tempo verbal. Claro que o recurso visual ajuda bastante, mas como a neurociência diz, a experiência dos alunos é responsável direta pelo aprendizado, isto é, se a aula for entediante, os alunos não se engajarão e o tabu em torno do present perfect permanecerá.

 

De maneira geral, os tempos perfeitos começam a aparecer no Ensino Fundamental 2, ou seja, os alunos estão com a língua materna (quase que em sua totalidade a portuguesa) muito mais que consolidada e, então, vão utilizar seu conhecimento do português como trampolim para a língua inglesa (White, 2003, Conteh, 2015). Para que a abordagem contextualizada e relevante aos alunos que utilize todo arsenal cognitivo deles aconteça, nada melhor do que utilizar um recurso interativo

 

Para se apresentar o conteúdo de maneira bem eficaz, o site Time Graphics oferece aos teachers a oportunidade de criar uma timeline inteiramente customizável. Nele, é possível praticar um exercício bem interessante: os alunos quase nunca têm acesso às vidas particulares dos professores, e podem até achar que nós não gostamos de sair para bares com amigos, nem que vamos ao cinema ou que gostamos de ouvir músicas, enfim, que temos uma vida social ativa. Como início da aula, você pode mostrar aos alunos uma linha do tempo criada por você sobre eventos importantes e marcantes da sua vida utilizando os recursos que o site oferece.

 

Conseguindo projetar a timeline em um tamanho que toda turma possa visualizar, pode usar as perguntas “what did the teacher do”, pressupondo que os alunos tenham as atividades do passado bem consolidadas. A mecânica, obviamente, continua a mesma, pois você precisa chamar atenção para as atividades que se mantém constantes ao longo da timeline, para que os alunos percebam que essa é a ideia por trás desse tempo verbal. O fator “experiência positiva” entra em ação pelo fato de os alunos estarem em contato com um perfil do professor que não conheciam que existe e sua criatividade ao selecionar fotos, vídeos e situações que sejam pitorescas pode potencializar essa experiência, aumentando o engajamento dos alunos.

 

Para deixar o início da atividade mais interativa, você pode pedir para que os alunos, enquanto interagem com você, anotem as atividades que forem se repetindo ao longo da linha temporal até coincidirem com o momento atual. A partir do momento em que o modelo linguístico for mostrado aos alunos, I have worked, travelled, studied, etc, pensando em uma aula explorando a oralidade, a fase de prática guiada pode acontecer com perguntas entre professor/aluno e aluno/aluno sobre a linha do tempo mostrada.

 

Lembre-se de explorar os recursos oferecidos, uma vez que esse site propicia o uso de vários recursos como inclusão de vídeos e integração com ferramentas Google o que deixa tudo muito mais interessante para que os alunos fiquem engajados nesse início de aula. Além disso, existe a possibilidade de se trabalhar em conjunto na realização de uma timeline, um recurso muito interessante ao aplicar a tarefa aos alunos.

 

A última fase dessa aula, a mais legal para nossos alunos, é o momento em que eles trabalham sozinhos, aplicando todo conhecimento prévio e recém-apresentado. A tarefa proposta é que eles criem uma linha do tempo dentro de 3 categorias: videogame, youtube e telefone celular. Como existe a possibilidade de criar uma timeline em conjunto, essa tarefa pode ser realizada em pares e os alunos podem levar seus próprios dispositivos para a sala de aula, e trabalharem em conjunto.

 

Enquanto um dos alunos faz a pesquisa sobre o início do Youtube, outro pode pesquisar informações sobre o canal atualmente e as projeções futuras e conforme eles forem selecionando as informações, os vídeos e as imagens, vão inserindo na linha do tempo e com a lembrança constante vinda do professor de que na hora de apresentar os trabalhos, é sugerido que eles usem o present perfect.

 

O objetivo é que ao apresentar, os alunos consigam falar sobre o tópico escolhido fazendo justamente o link temporal utilizando o tempo verbal recém ensinado. A expectativa é que, durante a apresentação, os alunos consigam produzir sentenças como Youtube has uploaded, increased, etc… E caso não se lembrem ou não se sintam seguros para produzirem de maneira relativamente espontânea, o teacher e os alunos podem encorajá-los fazendo perguntas e utilizando o presente perfeito.

 

Embora a sugestão de atividade faça uso de um recurso tecnológico, o conceito do presente perfeito é imutável. O papel da linha do tempo é, no início da aula, estabelecer uma comunicação com os alunos para que todos estejam na mesma sintonia e que tenham o aprendizado potencializado. No momento da tarefa proposta, em que os alunos trabalham sem interferência do professor, a tecnologia vai facilitar a realização da atividade, uma vez que eles vão trabalhar em pares, e aumentar o engajamento em sala de aula por oferecer a oportunidade de  construir algo com ferramentas que fazem parte do seu cotidiano.

 

Agora é com você, professor. A mudança do cenário está em suas mãos. Conte, nos comentários, como foi a aplicação!

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