Precisamos falar de inteligência artificial

por: Alexandre Mattioli

Imagine um mundo onde cada pessoa tenha seu próprio tutor individual: alguém que esteja ali só para você, 24 horas por dia, ensinando exatamente aquilo de que você precisa, respeitando o seu jeito de aprender, sua velocidade, e te ajudando a superar suas dificuldades específicas. Alguns anos atrás, qualquer um trataria essa idealização como algo apenas utópico, já que é humanamente impossível haver um professor para cada aprendiz neste mundo – é por isso que existem as salas de aula, com conteúdos mais ou menos padronizados para todos. Mas hoje a inteligência artificial está transformando esse mundo de ensino personalizado em algo cada vez mais palpável.

 

A inteligência artificial na educação não é mais um assunto futurista: é uma realidade, e precisamos conversar sobre ela. Já existem, atualmente, ferramentas que oferecem tutoria individualizada em todo tipo de matéria ou assunto. Um exemplo: no final de 2016, nos Estados Unidos, a Pearson e o IBM Watson anunciaram uma parceria para fornecer a alunos de ensino superior cursos equipados com inteligência artificial. O “tutor virtual”, capaz de aprender em uma velocidade e uma escala inimagináveis para a mente humana, consegue ter diálogos naturais com o estudante. Faz perguntas, dá dicas, oferece feedback e dá explicações. Para o professor, ele indica as principais dificuldades de cada aluno e informa quais deles mais precisam de ajuda.

 

Aliás, esse é um ponto importante: incluir a inteligência artificial na educação não significa substituir professores, mesmo porque a experiência humana é insubstituível no processo de aprendizagem. Trata-se, na verdade, de empoderar professores com ferramentas que os auxiliem a entregar a seus alunos um aprendizado mais personalizado, flexível, inclusivo e engajador. Sem que um ou outro aluno fique para trás por ter um perfil diferente do resto da turma, ou por não se adequar ao modelo de ensino proposto pela didática padrão.

 

Precisamos olhar para o assunto com seriedade, pois, com os estudos e investimentos certos para que esse tipo de tecnologia se torne cada vez mais acessível, as transformações educacionais e sociais que ela pode proporcionar são imensuráveis. No Brasil, acabamos de dar um passo importante: após dois anos de pesquisas, implementamos o primeiro assistente pessoal dotado de inteligência artificial em uma rede de ensino de idiomas no país. O Wiz.me conseguirá atender cada aluno de inglês da Wizard by Pearson de forma individualizada, respondendo a seus comandos, corrigindo sua pronúncia e oferecendo atividades adaptadas ao seu progresso de aprendizagem.

 

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Mas é possível ir muito além disso. Podemos vislumbrar um futuro em que um companheiro de aprendizado virtual possa acompanhar uma pessoa pela vida toda, ajudando-a com todo tipo de estudos (na escola e fora dela), e em que a inteligência artificial possibilite um novo modelo de avaliação, em tempo real, medindo o aprendizado enquanto ele ocorre. Um futuro com milhares de ferramentas, desenvolvidas com a combinação de forças de especialistas em educação e em tecnologia, e com o apoio de alunos e familiares, que possam superar os atuais desafios das salas de aula e demais ambientes de aprendizagem. A inteligência artificial pode nos levar a um universo educacional capaz de incluir e atender melhor cada pessoa. Não estamos falando de ficção científica, estamos falando de transformar vidas.

 

Artigo publicado no jornal Estado de Minas em 13 de abril de 2018.

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