Parcerias para sala de aula: um excelente caminho a ser trilhado

por: Andrei Cristiano Maia e Silva

O cotidiano no ambiente escolar deve ser inspirador para todos os agentes que o compõem, isto é, para os educandos e o educador. Não devemos conceber a escola como uma instituição estática e inerte, sendo que nossa sociedade, como um todo, também não é.

 

Com este pensamento e com o desejo de dinamizar e tornar atrativo o processo de ensino e aprendizagem dos alunos do quinto ano do Colégio Bom Jesus, da cidade Palmas, sul do Paraná. Ali, foi desenvolvida uma atividade que transcendeu as linhas e as barreiras dos níveis de aprendizagem.

 

A atividade foi idealizada em conjunto com os educadores, Eliane Brescovites, regente da turma, e Andrei Cristiano Maia e Silva, professor da física. A turma estava estudando um conteúdo muito rico de aplicações, principalmente na física, que é o magnetismo. Em posse deste conteúdo, os educadores envolvidos planejaram uma aula em conjunto com os alunos da turma do quinto ano. Isto mesmo: dois educadores ensinando o mesmo conteúdo, sendo um educador do ensino fundamental 1 e outro do ensino médio.

 

Inicialmente, a educadora Eliane fez, em sala, uma abordagem introdutória do conteúdo utilizando, o material bibliográfico que a turma dispunha, fazendo seus comentários e questionamentos acerca do tema. Com esta introdução feita, que durou algumas aulas, em um dado momento ela se dirigiu com seus alunos para o laboratório de física do colégio, onde o educador Andrei estava aguardando a todos com algumas atividades práticas (experiências) sobre os efeitos magnéticos, suas aplicações e suas origens.

 

Ao longo da exposição, os educandos fizeram muitos comentários acerca dos fenômenos, baseados no momento introdutório realizado por Eliane. Todavia, a aula não poderia ter seu fim apenas na exposição de experiências. Nestes comentários dos alunos, apesar de agregarem valor no processo de ensino-aprendizagem, ainda faltava uma certa consistência. É aí que o educando tem uma maior compreensão do conceito estudado: quando se torna parte da construção do conceito.

 

Um pouco de história pessoal: Eliane e eu desenvolvemos algumas atividades em conjunto, ao longo destes anos de trabalho. E isso começou quando a escola formou  um grupo entre os educadores, com o objetivo de promover a união entre nós. Neste momento, desenvolvemos uma atividade na qual fizemos uma pequena “formação para nossos colegas”. A partir daí, por termos as mesmas motivações de tornar nossas aulas mais dinâmicas, começamos a conversar sobre métodos e ferramentas para serem aplicadas nelas. Outro ponto que contribuiu com este projeto de parcerias é o fato de ser formado em matemática (e de também poder ministrar aulas de física), podendo auxiliar ela e outros colegas sobre formas didáticas de apresentar os conteúdos aos educandos do Ensino Fundamental 1.

 

Certa vez, ela comentou que ministraria aulas sobre magnetismo e tinha algumas dúvidas. Eu me prontifiquei a explicar o que ela tinha da parte mais específica e, aí, surgiu a ideia de fornecer aulas para os seus alunos. Conversamos um bom tempo de como seria esta aula até chegarmos nesta formatação. Portanto, esta não foi a primeira aula que fizemos em conjunto, mas foi a que julgamos ter uma impacto mais profundo nos educados.

 

Para finalizar a aula, nós propusemos a construção de um eletroímã, utilizando pilhas, pregos, fios e placas metálicas. Cabe uma observação aqui: este “objeto” é comum no cotidiano de muitos alunos que residem em prédios. Ao ver o imã elétrico funcionando, os educandos ficaram deslumbrados pelo fato de algo que não tem as propriedades magnéticas repentinamente acaba apresentando estas mesmas propriedades.

 

À medida que atividade ia se desencadeando, muitos questionamentos surgiam, como: “como isso acontecia” e “por que isso acontecia”, motivando respostas ainda mais profundas em relação ao tema. Muitos destes questionamentos os próprios colegas iam respondendo à medida que conseguiam ter suas respostas. Ao final da atividade, cada aluno levou seu “imã elétrico” para casa, afim de exibi-los aos seus familiares.

 

Para efeitos práticos, pudemos observar, enquanto educadores, o quanto uma atividade como esta despertou nos educandos o desejo pelo saber, uma vez que os mesmos se tornaram protagonistas do seu aprendizado ao realizarem as experiências sobre os efeitos magnéticos, bem como a construção do seu próprio imã. É fato que muitas escolas de educação básica não possuem o nível médio, mas vemos aqui o quão produtivo uma parceria entre professores pode ser, tornando ainda mais rico o processo de ensino e aprendizagem.

 

Devido à formação específica, o docente de física do ensino médio acaba tendo um estudo mais dirigido e aprofundado sobre alguns temas ligados a disciplina de ciência. Havendo estes planejamentos coletivos e execuções, mostra-se ao educando que o mundo, hoje, trabalha em grupo, trabalha coletivamente para um bem comum.

 

Quando se trata de educação, é dever do educador promover formas de tornar os objetos de aprendizagem mias atrativos e, principalmente, aplicáveis ao cotidiano, uma vez que não podemos mais trabalhar os conceitos de forma dissociadas da realidade. Com esta postura, logo serão colhidos frutos em seus educandos, e também será vista uma resposta que transcenderá as avaliações. Por isso, procurem parcerias para suas aulas, elas fazem toda a diferença!

 

Texto/projeto por:

Andrei Cristiano Maia e Silva
Professor de Matemática Instituto Federal do Paraná, campus União da Vitória.

Eliane Brescovites
Professora Ensino Fundamental 1 Colégio Bom Jesus Palmas/PR.

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