Os acidentes e sua contribuição no processo criativo

por: Iasmin Oliveira

Os acidentes e sua contribuição no processo criativo

Quando o assunto é a construção de um trabalho artístico é fácil pensar que a obra de arte nasce de um momento de inspiração ou “dom” do artista. A obra, ao contrário do que muitos pensam, nasce, na maioria das vezes, de uma pesquisa profunda, que tem início na construção de um projeto.
Essa pesquisa conta com leituras, pesquisa de campo, análise de obras de arte, esboços, diário de ateliê, análise de materiais, entrevistas, enquetes e outros elementos que o artista julgar necessário para a conclusão do projeto.
E apesar de comum os projetos de pesquisa para a construção de obras de arte, é possível encontrar obras que nascem de acidentes, imprevistos ou mesmo que tomam um rumo diferente daquele projetado por conta do que pode-se chamar de “acidentes felizes”.
Esses acidentes podem ter diversas origens: uma imprudência processual na execução da obra, como deixar quebrar uma escultura ou manchar uma pintura; um questionamento/contradição de sentido referente ao conceito da obra apresentada; até mesmo uma visão oposta e/ou somatória ao processo criativo; fatores que podem vir a agregar e mudar o rumo do projeto, e consequentemente da obra.
Mas há ainda os projetos que nascem de um acidente. Muitas vezes a perda ou quebra de um objeto que possui valor monetário, cultural ou afetivo, faz nascer uma obra; bem como um acidente relacionado a algo imaterial, como quebra de valores, preconceito, até mesmo conflitos pessoais e emocionais.
Estes acidentes que antecedem o processo de criação trazem ao artista um estudo ainda mais profundo, visto que este precisa certificar-se que a ideia que teve ao se deparar com determinado acidente pode sim vir a somar para sua obra, a fim de que o público possa interpretar e desfrutar do conhecimento fornecido por ela.
Independente da origem do acidente e de sua localização na etapa do processo criativo, este pode vir a somar para a construção de significado para uma obra e/ou gerar ainda a criação de um novo processo artístico.
É preciso pensar portanto que um acidente pode não ser o fim de uma etapa, atraso do projeto ou mesmo motivo de aborrecimento, mas se bem utilizado, pode ser motivo de reflexão no projeto que está em execução, tanto de forma avaliativa, para entender aquilo que está incompleto ou sendo executado de forma equivocada, até para agregar conceitos e qualidade ao projeto final.
Portanto é preciso estar aberto a todos os estímulos que podem acontecer oriundos de um acidente, pois estes podem abrir caminhos de criação e interpretação para o artista-educador.

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