Objetos de aprendizagem: limites e possibilidades

por: Clara Regina Agostini Oliveira

Ao longo de minha trajetória pelos espaços escolares, 35 anos na docência e outros 10 exclusivamente como Pedagoga, sempre gostei das possibilidades que os avanços tecnológicos nos apresentam.

 

Claro que nos idos dos anos 70, ter um mimeógrafo era uma raridade. Sim, passei pelo mimeógrafo a álcool, que evoluiu para o mimeógrafo a tinta, que evoluíram para a copiadora. Do quadro negro para o verde. Do quadro para o retroprojetor com as primeiras lâminas feitas à mão que evoluíram para lâminas feitas na copiadora, até chegar às imensas possibilidades disponíveis nos dias de hoje.

 

Os recursos tecnológicos disponíveis nos tempos atuais são encontrados em diferentes espaços inclusive nos espaços escolares. As chamadas TICs – Tecnologias de Informação e Comunicação – cada vez mais permitem criar uma variedade de materiais didáticos, muitos deles com possibilidades interativas que ampliam a eficiência dos ambientes de ensino-aprendizagem. Dentre essas possibilidades destacam-se os objetos de aprendizagem ou objetos educacionais.

 

Durante minha pesquisa para o mestrado optei por pesquisar materiais digitais para o Ensino de Ciências Naturais, e escolhi pesquisar sobre Objetos de Aprendizagem – O.A. Dada a necessidade de um recorte, próprio das pesquisas, escolhi pesquisar tais materiais com foco na Educação de Jovens e Adultos – EJA.

 

O que são objetos de aprendizagem?

 

Da revisão de literatura, apresento três das referências que usei, para entendimento do que seriam esses O.A:

 

– Linux Educacional (MEC/SEED) – texto que conceitua objetos de aprendizagem como recursos educacionais, em qualquer linguagens ou formato, que objetivam a mediação e qualificação do processo de ensino-aprendizagem. Nesta mesma obra encontrei que uma das características dos O.A. é a capacidade de reutilização desses materiais, denominada reusabilidade.

 

– Wiley (2002) , que apresenta os O.A. como elementos de um novo tipo de instrução computacional, com base no paradigma de orientação a objetos da ciência da computação.

 

– Tarouco (2003) que define esses objetos educacionais como recursos complementares ao processo de ensino que podem ser reusados para apoiar a aprendizagem.

 

Após o levantamento bibliográfico comecei fazer contato com alguns professores da rede pública de dois municípios, na região centro-sul do estado do Rio de Janeiro, para conhecer suas realidade e quais seriam suas possibilidades e interesse de utilizarem tais recursos. Foi muito interessante identificar que, embora 70% dos entrevistados usassem a internet para preparação de suas aulas, apenas um terço (33%) já conheciam alguns desses objetos educacionais. Durante esse contato com os professores comecei outro levantamento nos espaços onde os Objetos de Aprendizagem podem ser acessados, denominados repositórios.

 

O levantamento com os docentes e a pesquisa nos repositórios permitiu concluir que, embora já se tenha à disposição imenso acervo de Objetos de Aprendizagem, em diferentes repositórios, isso não significa facilidade de acesso aos mesmos. Alguns não estão disponíveis em língua portuguesa, na sua grande maioria sem uma catalogação de fácil entendimento, ou então situações nem sempre disponíveis para que sejam visualizados pela web. Por exemplo, o acesso à web nas escolas, em um número considerável de vezes, não tem conexão compatível para utilização dos O.A. encontrados.

 

No entanto, vários desses objetos educacionais permitem fazer o download para uso off-line, posteriormente. Essa foi a alternativa encontrada. Buscar nestes repositórios alguns Objetos de Aprendizagem que fossem de domínio público e que permitissem fazer o download.

 

O que fazer?

 

Durante esta pesquisa identifiquei que há um vasto acervo que pode, e deve ser explorado. Embora meu foco fosse encontrar O.A. com vistas ao Ensino de Ciências Naturais na EJA ao visitar os repositórios deparei com vários objetos educacionais para diferentes áreas do conhecimento. Para o fim proposto, foi possível selecionar 74 objetos de aprendizagem que foram organizados num catálogo digital.

 

Sugiro que os professores que têm interesse em buscar outros recursos para preparação de suas aulas, diferentes daqueles tradicionais, visitem esses repositórios (alguns listados abaixo) e explorem o material disponível.

 

A necessidade de se usar alguns programas para visualização desses O.A. não deve se configurar como uma dificuldade, mesmo que assim pareça no início. Durante minha pesquisa usei, para a visualização, o SWF Opener®, o Adobe FlashPayer® e o KM Player®.  Mas, vários dos objetos educacionais encontrados podem, ser visualizados nos dois sistemas operacionais mais usados. Atualmente, os sistemas operacionais disponíveis atualmente oferecem vários recursos de visualização desses objetos educacionais.

 

Considerações Finais

 

Os recursos digitais, em especial os objetos educacionais denominados Objetos de Aprendizagem, podem colaborar para o aumento da qualidade do ensino na escola, visto que ajudam a aumentar a diversificação do modo de aprendizagem. Porém o acesso a estes recursos ainda é restrito. Seja por dificuldade de se lidar com esses espaços, seja por desconhecimento de suas possibilidades, como o acesso aos repositórios, por exemplo.

 

Essa situação, de desconhecimento e dificuldade de acesso, de fato, limita o uso desses objetos educacionais no cotidiano escolar. Assim sendo, é recomendável a visita e exploração de tais recursos e espaços. Isto permitirá conhecer os O.A. e identificar aqueles que se aplicam ao seu dia a dia do professor conforme sua realidade. Explore os materiais disponíveis e descubra as suas inúmeras possibilidades de utilização. E não se esqueça, vários desses objetos permitem sua utilização off-line após seu download.

 

Referências Bibliográficas

 

BRASIL. Ministério da Educação. Linux Educacional . Disponível em http://webeduc.mec.gov.br/ linux educacional/curso_le/index.html

TAROUCO, Liane M. R.; FABRE, Marie C. J. M.;GRANDO, Anita R. S.; KONRATH, Mary L. P. Objetos de Aprendizagem para M-Learning. Florianópolis: SUCESU – Congresso Nacional de Tecnologia da Informação e Comunicação, 2004. Disponível em http://www.cinted.ufrgs.br/CESTA/objetosdeaprendizagem_sucesu.pdf.

WILLEY, D. A. Connecting learning objects to instructional design theory: A definition, a metaphor, and a taxonomy. 2000. Disponível em http://reusability.org/read/chapters/wiley.doc

 

  • BIOE – Banco Internacional de Objetos Educacionais.
    Disponível em http://objetoseducacionais2.mec.gov.br/handle/mec/758/browse?type=title&s=/
  • BNDIGITAL- Biblioteca Nacional Digital Brasil
    Disponível em https://www.bn.gov.br/explore/acervos/bndigital
  • Federação de Repositórios Educa Brasil.
    Disponível em http://www.rea.net.br/site/federacao-educa-brasil-feb/
  • Laboratório Didático Virtual (Física e Química) – USP.
    Disponível em http://www.labvirt.fe.usp.br/
  • MERLOT – Multimedia Educational Resources for Learning and Online Teaching
    Disponível em http://www.merlot.org/merlot/index.htm /
  • Micro&Gene – Atividades para o ensino de Biologia.
    Disponível em http://www.ib.usp.br/microgene
  • MIT OpenCourseWare. Massachusetts Institute of Technology.
    Disponível em http://ocw.mit.edu/index.htm/
  • Portal do Professor
    Disponível em http://portal doprofessor.mec.gov.br/recursos.html
  • PROATIVA – Grupo de pesquisa e produção de ambientes interativos e objetos de aprendizagem.
    Disponível em http://www.proativa.virtual.ufc.br/
  • PROJETO CESTA – Coletânea de Entidades de Suporte ao uso de Tecnologia na Aprendizagem.
    Disponível em http://www.cinted.ufrgs.br/CESTA/
  • RIVED – Rede Interativa Virtual de Educação.
    Disponível em http://rived.mec.gov.br/
  • RIVED – UNIFRA.
    Disponível em https://compeduca.wordpress.com/2012/04/22/rived-unifra-rede-interativa-virtual-de-educacao-2/

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