O que o jogo Minecraft nos ensina sobre a aprendizagem

por: Entretanto

Seguindo a pista de 100 milhões de pessoas

 

Mais de 100 milhões de pessoas são usuárias registradas do jogo Minecraft, um jogo imensamente popular no qual os jogadores — em sua maioria, crianças — constroem mundos de fantasia detalhistas e complexos com… Blocos de pixels.

 

“É o jogo mais lucrativo da história. Algo está acontecendo com este jogo e, pensando na perspectiva de aprendizagem, nós queríamos descobrir o que era”, diz Luis Oros, Gerente de Produtos de Tecnologias do Futuro da Pearson.

 

Uma mania jamais vista antes

 

Professores, pais e diretores de escolas contaram para a equipe da Pearson que foi fazer esta investigação que as crianças estavam completamente obcecadas com o jogo.

 

“Primeiro, as crianças têm nas mãos a experiência de aprendizagem”, diz Luis. Os jogadores têm total controle sobre todas as opções do jogo, desde o design, os materiais, as cores, até as estruturas e todo o resto.

 

“Segundo, a plataforma pode ser alterada”. Os jogadores podem alterar o design e inúmeras formas, recomeçando ou até mesmo construindo por cima de estruturas existentes.

 

“Este é em enorme diferencial, se comparado aos muitos produtos de aprendizagem com jogos educativos, os quais não dão aos jogadores esta liberdade plena de jogar fora do padrão”, diz Luis.

 

Um obstáculo para a sala de aula

 

Apesar da popularidade do jogo Minecraft entre tantas crianças, há um grande desafio para a sua plena integração à sala de aula.

 

“Como ele pode ser alinhado aos currículos da escola tradicional? O que os jogadores estão fazendo no jogo — o controle do jogo e a plena liberdade para criar e explorar — é tão difícil de ser aplicado nas salas de aula, onde as informações e a memorização são enfatizadas?”.

 

Modelos progressivos de aprendizagem

 

“Grande parte deste aprendizado com o Minecraft aponta para o que imaginamos ser o futuro da educação. Atualmente, muitos currículos estão muito focados em saber os fatos ou memorizar as fórmulas”, explica Luis.

 

“Muito desses conteúdos está amplamente disponível, de inúmeras formas — portanto, vemos uma mudança mais ampla na sala de aula, distante da transmissão do conteúdo de um currículo fundamentado em habilidades de raciocínio e na resolução de problemas. Isso nos leva de volta às raízes do ensino”.

 

Luis também vê uma segunda alteração na experiência da aprendizagem do futuro.

 

“Nós vemos professores tornando-se mais mentores. As respostas estão em todos os lugares, em diferentes aspectos, e o papel do professor é direcionar mentes jovens para o tipo certo de perguntas”.

 

Ainda segundo o Gerente de Produtos, “o papel do educador é estimular e nutrir a curiosidade e, em seguida, construir relacionamentos mais fortes com os alunos para apoiar o domínio da aprendizagem deles”.

 

Este tipo de abordagem, diz Luis, poderia diminuir a necessidade de imensas avaliações de final de ano e integrar avaliações mais úteis, personalizadas e em tempo real,  na sala de aula: “um instrutor talentoso e engajado nos alunos pode usar um feedback em tempo real para direcionar a aula . Acredito que as abordagens atuais para as avaliações não fazem isso”.

 

+ Leia mais: Jogos na sala de aula: do planejamento à produção.

 

++ Leia mais: Storytelling: alunos, histórias e jogos – Parte 1.

 

Como as novas abordagens para a aprendizagem funcionam

 

“Eu odiava a escola”, diz Luis.

 

Ao frequentar a Universidade Johns Hopkins, estudar neurociência e pensar que estava à caminho da faculdade de medicina, foi desligado pela “memorização rígida” dos fatos.

 

“Foquei naquilo e fiquei muito mais feliz dentro da sala de aula. Percebi que havia muito mais para aprender. O valor de algo como o Minecraft é que essa curiosidade está na sua essência. Através deste tipo de curiosidade, podemos ensinar às crianças os tipos de habilidades críticas das quais elas precisarão para o resto de suas vidas”.

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