O perfil do educador-pesquisador

por: Ana Paula Cerrada

A importância do educador-pesquisador, atualmente, é um desafio rumo à inovação. A gestão do conhecimento acompanha as mudanças em diferentes segmentos. Pesquisar é uma ação fundamental para todos os educadores dentro e fora da sala de aula, cujo objetivo é alinhar os conteúdos tradicionais com os novos saberes que, às vezes, os alunos já sabem. O educador, ao exercitar a pesquisa, incentiva os alunos a serem pesquisadores.

 

Diversas metodologias ativas de aprendizagem estão disponíveis. Temos de aplicá-las de forma reflexiva, conferindo-as sentido e alinhá-las ao dia a dia dos alunos ou, caso contrário, corremos o risco de utilizar apenas ferramentas por modismo. A aprendizagem significativa deve permitir ao aluno construir novos conhecimentos e ter autonomia na resolução de problemas. Por esta razão, a pesquisa é um hábito importante dentro e fora da escola , pois a sua relação com a aprendizagem tem de ser interdisciplinar aos conteúdos e à atuação de professores e alunos.

 

O educador-pesquisador precisa refletir a respeito do seu perfil, para dar continuidade a sua prática pedagógica dentro e fora da sala de aula. Por isso, fazer uma autoavaliação é essencial, no sentido de  reavaliar a didática e a própria atuação:

 

1) Contribuí significativamente com meus alunos para a construção de novos saberes?
2) Quais os conhecimentos que preciso obter ou que ainda não domino?
3) Estou realmente inovando?
4) A comunicação em sala de aula é reflexiva?
5) A qualidade do desempenho dos alunos reflete um conhecimento aplicável para outras disciplinas e também para a sua vida?
6) A avaliação é autêntica? Desenvolve a autoconsciência dos alunos em relação ao seu processo de aprendizagem?
7) Estabeleço uma parceria interdisciplinar entre os professores, no sentido de ampliar o meu e o nosso repertório de pesquisa?

 

Estas são algumas das questões que considero importantes para os educadores. Ao pensarem sobre a sua atuação e ao realizarem um exercício de autoconhecimento em relação ao seu perfil profissional, eles também começam a ter um olhar pedagógico seletivo em relação às necessidades dos seus alunos.

 

Além destas competências, adotar uma postura resiliente (ou seja, ter a capacidade de lidar com problemas, adaptar-se às mudanças, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas) fará toda a diferença no desenvolvimento deste perfil pesquisador e na reinvenção frente às novas metodologias e sequências didáticas.

 

O aluno é o protagonista do seu processo de aprendizagem, enquanto o educador é o facilitador, uma vez que está consciente de não deter totalmente o conhecimento. Com as inovações na área da educação e o uso das novas tecnologias, os alunos conseguem acessar a novos saberes cada vez mais rápido, mas necessitam de educadores que orientem suas relações com estes conteúdos, para que saibam como aplicá-los em projetos que promovam a autonomia.

 

Ao iniciarmos uma mudança na forma do tratamento das informações, transformando-as em conhecimento e, ao mesmo tempo, motivando os alunos a compreenderem que os são agentes deste processo, começaremos a sair da zona de conforto.

 

Temos de correr contra o tempo, pois não há espaço para o retrocesso. E muito menos desculpas que não há o que fazer: temos de pesquisar as ferramentas educacionais e usá-las em nossas aulas a favor dos alunos. Sem pesquisar, ousar e inovar, não vamos caminhar em direção às mudanças urgentes.

Esse autor não tem outras matérias publicadas

Receba nossa News

A Educação é feita da união de conhecimentos. Preencha seu e-mail e receba nossos conteúdos atualizados!

*Não lote sua caixa de e-mail. Nossas newsletters são enviadas quinzenalmente e trazem um resumo dos melhores conteúdos publicados.