O café como fruto de criação em Artes Visuais

por: Iasmin Oliveira

São quase dois mil anos de história do grão para as xícaras, durante esse período o café percorreu um longo caminho. Sua cultura foi uma importante conexão entre diferentes povos e demonstra toda sua força ao continuar a desempenhar papel social, econômico, político e cultural fundamental a vida de boa parte das civilizações.
Em todos os países onde chegou o café provocou mudanças profundas, aqueceu o mercado, proporcionou progressos, riquezas e chegou a provocar revoluções. Atualmente, sua influência é ainda maior, é o segundo produto mais negociado no mundo, atrás apenas do petróleo. Sendo também a segunda bebida mais consumida no mundo, perdendo apenas para a água.
Até hoje o ciclo de influência do fruto sobre as sociedades se repete. Nascem, crescem e se transformam costumes, tradições e histórias em torno do café. E é por ter essa relação tão próxima com o cotidiano e as relações interpessoais que é também fruto de diversos trabalhos artísticos.
É essencial que a arte se torne cada vez mais acessível, portanto por que não construir isso a partir da realidade dos alunos, utilizando como matéria prima um dos produtos mais consumidos, conhecidos e queridos pela cultura nacional?
Um dos papéis fundamentais do “artista-professor” é despertar o olhar do aluno para o conhecimento de suas raízes culturais, levando-os a refletir como elas os definem e transformam como pessoas, e em como a expressão da sua individualidade e cultura contribui para a manutenção e conservação de um patrimônio cultural da sociedade; além de apresentar as mais diferentes possibilidades de criação artística, mostrando que a arte, assim como o café, pode ser muito mais familiar, acessível e saborosa do que se pensa.
É possível então explorar todas as formas de utilização do fruto e elementos a ele relacionados, seja o grão, o pó, a borra, o líquido coado, o filtro de café usado, e tantos outros elementos relacionados à bebida. E assim trabalhar com o café a partir de diferentes técnicas, seja ela a fotografia, como fez Caio Marcatto na série Wake-up; pintura, como Dirceu Veiga em Coffee Art; caricatura, como Humberto Freitas e até mesmo instalação, como fez a artista contemporânea Raquel Fayad em sua exposição Campoamor, que traz para o público a relação do café com a memória, a partir do estímulo dos cinco sentidos.
Assim sendo, é possível ver o café como um potencial criador em artes visuais, e um facilitador, uma vez que vez que este está presente no cotidiano do brasileiro, e é um material extremamente acessível. O fator principal na execução de trabalhos com o café deve-se portanto a criatividade do educador ao apresentar tal proposta, de modo que o aluno explore as diferentes possibilidades e valores culturais que o material pode lhe proporcionar.

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