Melhor sala de aula de Educação Infantil: escolas Malaguzzianas e suas práticas

por: Rosemari Glowacki

Malaguzzi (1999) defendia e continua defendendo que:

 

Aprender e reaprender com as crianças é a nossa linha de trabalho. Avançamos de tal modo que as crianças não são moldadas pela experiência, mas dão forma à experiência. ( p. 98).

 

Sabe, meu caríssimo leitor e educador amigo, a defesa do protagonismo da criança e escuta ativa já seriam inovações suficientes de uma proposta de educação infantil para encantar o mundo. Entretanto, a proposta de Loris Malaguzzi vai além e cresce cada dia, envolvendo outras ações que a enformam e tornam ainda mais interessante.

 

Associada ao protagonismo da criança  e escuta ativa, a prática da documentação pedagógica é também forte aliada da concepção criada por Malaguzzi. As escolas malaguzzianas têm na sua prática ações que as distinguem das demais, transformando-as em exemplo para o mundo.

 

Mas, engana-se quem imagina que foi uma ideia original do educador italiano.  Freinet já utilizava tais recursos em sua experiência no início do século XX como professor junto às crianças de classe popular em Saint-Paul de Vence, uma pequena aldeia ao sul da França.

 

Loris se apropriou de situações e ideias de sucesso criadas por este e outros pensadores da educação. Dessa associação surgiu a nova abordagem pautada no protagonismo do aluno.  Daí que vale pensarmos sobre quais ideias têm sido eixo norteador das inovações que implementamos nas nossas escolas de educação infantil brasileiras. Estamos aqui falando de Loris Malaguzzi, mas isso não descarta outras propostas de sala de aula de educação infantil.

 

A ideia de Freinet, que foi abraçada por Malaguzzi, trata-se de modalidades de documentação de experiências e saberes que se integram ao trabalho pedagógico cotidiano e que permitem a comunicação (fichas, jornais que expõe trabalhos de alunos, seminários de apresentação dos próprios alunos, memórias, agendas diárias, dentre outros).

 

Esses instrumentos compõem a vida da classe em uma concepção particular de escola e de educação: a criança produz registros que permitem a construção de memória sobre suas experiências, sua socialização e comunicação, e a organização de seus trabalhos cotidianos; o professor registra suas práticas e encontra canais de difusão e comunicação a outros educadores, produzindo um saber passível de ser apreendido por seus pares. MARQUES: 2011

 

O processo de documentação pedagógica apresenta-se bastante presente no contexto italiano da educação infantil, e assume particularidades nos diferentes espaços, pois não há uma forma única de documentar.

 

A concepção de documentação na abordagem de Reggio Emilia insere-se em uma proposta pedagógica mais ampla que considera a importância da escuta e da observação e vê as crianças como “competentes” e portadores de “cem linguagens” (MALAGUZZI,1999).

 

Em linhas gerais, podemos conceituar documentação pedagógica como sistematização do trabalho pedagógico, produção de memória sobre uma experiência, ação que implica a seleção e a organização de diferentes registros coletados durante o processo.

 

É fato que só é possível levantar a bandeira da documentação porque há o que registrar. A proposta de Loris é tão rica que torna a sala de aula ou seu entorno um celeiro de ideias, inovações pedagógicas e muita, muita comunicação a ser realizada para registrar todo esse momento criador.

 

Protagonismo do aluno

 

A criança que o cientista da educação imagina é um modelo pedagógico de criança competente, curiosa, atenta, capaz, pensante, que cria e inventa, que descobre o mundo por meio da arte, do seu próprio corpo e da interlocução com outras crianças. Por acreditar na criança, Malaguzzi confirma esse potencial inerente dos pequenos.

 

Para ele a aprendizagem nasce da relação de escuta entre o professor e seu pequeno aprendiz. Ou seja, entre o educador e a criança, também entre uma criança e outra criança, vozes que se entrelaçam. A educação como um ato de reciprocidade.

Nas palavras de Malaguzzi (1999, p. 90):

 

Quanto mais ampla for a gama de possibilidades que oferecemos às crianças, mais intensas serão suas motivações e mais ricas suas experiências. Devemos ampliar a variedade de tópicos e objetivos, os tipos de situações que oferecemos e seu nível de estrutura, os tipos e as combinações de recursos e materiais e as possíveis interações com objetos, companheiros e adultos.

 

 

A participação é apresentada como outro aspecto central da experiência pedagógica reggiana, construída via comunicação com as famílias e manutenção de espaços de decisão como reuniões de turma, assembleia da escola, Junta de Conselheiros, dentre outras formas de administração colaborativa.

 

A criança pode escolher trabalhar em dupla, pequenos grupos, pode atender ou não a sugestão do professor. Cabe a ela a decisão do seu “processo”  de aprendizagem. Mas não pense que o aprendizado fica “solto”, o professor está atento ao percurso do aluno e o auxilia a interligar os conhecimentos.

 

O planejamento flexível, ou como os italianos o denominam: progettazione, dispara um ciclo de observação, documentação e interpretação. Ações estas que levam os educadores ao levantamento de hipóteses e algumas conclusões sobre o processo individual e coletivo dos seus alunos. Retroalimentação, feedback e ajustes de percurso são vantagens da adoção de com planejamento flexível.

 

Malaguzzi explica:

Nossos professores realmente pesquisam, tanto por conta própria quanto com seus colegas, para a produção de estratégias que favoreçam o trabalho das crianças ou possam ser utilizadas por elas. (…) Alguns de nossos professores avançam nesta pesquisa com maior intenção e melhores métodos que outros; os registros e documentários que resultam de seus esforços estão significativamente além das necessidades imediatas para a ação e se tornam objetos comuns de estudo, e ocasionalmente aprendem com tanta substância ao ponto de serem do interesse de uma audiência mais ampla. ( 1999 )

 

Assim, não existe um currículo rígido. As intenções das crianças é que geram e guiam o trabalho pedagógico. O processo é desenvolvido por todos. A abordagem reggio-emiliana foi criada para dar flexibilidade ao professor e autonomia ao aluno.

Pensamos em uma escola para crianças pequenas como um organismo vivo integral, como um local de vidas e relacionamentos compartilhados entre muitos adultos e muitas crianças. Pensamos na escola como uma espécie de construção em contínuo ajuste (MALAGUZZI, 1999, p. 72).

 

O projeto de Lóris Malaguzzi mostra a abordagem pedagógica voltada para a criança como protagonista na construção do seu conhecimento. A pedagogia por ele desenvolvida admitiu que os adultos tivessem como tarefa prioritária a escuta e o reconhecimento das múltiplas potencialidades de cada criança, que deve ser atendida em sua individualidade. Trata-se de uma escola diferente, enraizada na vontade dos educadores e das famílias de construir um mundo melhor por meio da educação.

 

Como já destacado anteriormente, nos princípios que regem a proposta pedagógica de Malaguzzi, a abordagem Reggio Emilia se alicerça na perspectiva do papel primordial da comunidade  e dos pais na construção da educação.

 

Talvez esse seja o principal motivo do sucesso atingido pela proposta, tendo em vista que a cidade de Reggio Emilia abraçou a causa e lutou para que a ideia saísse da mente do jovem pedagogo e se tornasse realidade.

 

A integração das famílias e o acolhimento das diferenças culturais, religiosas e geopolíticas foram determinantes para o sucesso da proposta à época de sua criação e permanecer atual até os dias de hoje. A necessidade de cuidar das crianças, lá quando da estruturação da escola acabou por influenciar o cuidado com toda a cidade. 

 

Pedagogia da Escuta

 

Para facilitar a compreensão de todos esses conceitos, os principais alicerces da Pedagogia da Escuta:

– a essência está em conectar-se ao outro, mais que empatia é ter sensibilidade;

– A escuta é um movimento sensorial: não se escuta só com os ouvidos, mas com o corpo todo;

– Como um verbo ativo: a escuta interpreta e produz sentidos;

– A escuta acontece e provoca a reciprocidade;

– A escuta implica no exercício do amor, no acreditar no potencial do outro;

– A escuta nos leva a demonstrar o valor que damos, ou não aqueles que dizemos querer ensinar;

– Escutar implica em vencer sentimento de incertezas e crises, isto porque naquele momento somos a fortaleza do outro;

– Escutar demanda tempo, disponibilidade interna para olhar para o outro e aceita-lo, um tempo cheio de silêncios e pausas.

 

 

Ambiente: O Terceiro Professor

 

 

A estrutura da escola foi idealizada com muito esmero. O  ambiente é valorizado como espaço de relações. As salas são amplas e possuem atividades diferenciadas. Quem escolhe a sala que vai visitar e aprender naquele dia é a criança. Cada sala ou espaço lhe permite participar de atividades com uma ou mais linguagens. Transparência e luminosidade ajudam a ver e escolher que espaço ela quer permanecer. As paredes são “ decoradas” com as atividades realizadas pelos pequenos o que lhes dá sensação de pertencimento, além de valorização.

O espaço-ambiente como lugar que acolhe crianças e adultos em seus processos construtivos, por considerar suas perspectivas na conformação de elementos mediadores, provocadores, estruturantes e enriquecedores de repertórios, possibilita a consolidação do sentimento de pertencimento e o reconhecimento de um lugar comum.

 

A proposta valoriza a representação simbólica, envolvendo artes, pintura, música, fotografia como ferramentas para incrementar o aprendizado dos pequenos. Por isso, a estrutura da escola é tão valorizada. O objetivo maior é criar um ambiente que seja educativo e lúdico ao mesmo tempo. Chamado inclusive de “um terceiro professor”.

Foram criados ambientes pautados na concepção de sala de aula de Loris malaguzzi.  A estrutura das “Creches de Régio Emilia” é bastante diferenciada. Espaços que estimulam o desenvolvimento das crianças e permitem que várias linguagens sejam trabalhadas. Observe abaixo algumas propostas da própria sede italiana e outras criadas por escolas ao redor do mundo:

 

Imagem 1:  “ espaço de teatro” – créditos: https://br.pinterest.com

 

 

Imagem 2 – sala de aula : Créditos: https://br.pinterest.com

 

Imagem 3 – Cozinha – Créditos:  https://br.pinterest.com

 

Imagem 4 – Praça – Créditos https://br.pinterest.com

 

Imagem 5 : Laboratório – Créditos: https://br.pinterest.com

 

Enquanto lugar habitável, de encontro, este âmbito do espaço-ambiente se constitui “espaço dinâmico, inter-relacional, qualificado e aberto às possibilidades múltiplas das atuações humanas, às quais dá sentido existencial. Um espaço, também – como diria Gaston Bachelard  – poético” (Hoyuelos, 2006, p. 76).

São inovações como as paredes “ decoradas”, a utilização da iluminação e transparência como recurso didático-metodológico. Acrescenta-se a isso outras peculiaridades como a cozinha. Sim !  Leitor, pode parecer estranho e perigoso, mas a  cozinha é utilizada pelas crianças e fica logo na entrada das unidades.

Como ambiente de socialização e aprendizado a cozinha e é construída com vidros transparentes o que mostra a não divisão dos espaços. Tudo na escola malaguzzina é planejado, toda sua estrutura é um potencial educativo.

Vale ressaltar que tais “inovações” podem e devem ser pensadas para escolas brasileiras que intencionam ter “a melhor sala de aula de educação infantil do mundo”. Isto porque, é notório o sucesso desta proposta italiana.

Outra ideia ! Toda escola reggiana tem uma praça que é ponto de encontro. Lugar de integração dos alunos, pais, professores, visitantes. Por tratar-se de uma proposta inovadora as escolas recebem visitantes de outras regiões e países, todos encantados com a forma como são conduzidas as atividades.

Um “ ateliê”  foi criado na intenção de promover o estímulo  “ as cem linguagens”. Representa uma escolha pedagógica no sentido de promover às crianças experiências com diferentes linguagens, entendidas como “ferramentas para o pensamento”; a manutenção, dentro de cada seção/ turma, de um mini-ateliê indica que esse trabalho não se realiza de forma isolada, mas contamina a vida cotidiana.

 

O ateliê propicia a documentação pedagógica, favorece a exploração e experimentação das crianças e promove a ludicidade por meio do desenvolvimento da arte. É uma fonte de pesquisa e acompanhamento da produção do pensamento infantil.

 

 

Considerações Finais

 

 

Os princípios da proposta reggiana podem ser resumidos em três focos: protagonismo do aluno, professor investigador e facilitador; e, espaço como uma ferramenta de aprendizagem.

Meninos e meninas são considerados capazes, cheios de potencialidades, curiosos, interessados em construir seu próprio conhecimento e negociar situações de aprendizagem. São pesquisadores natos e por isso mesmo é preciso que a escola os estimule utilizando atividades com todas as linguagens ( cognitivas, comunicativas, expressivas, éticas e imaginativas).  Escutá-las torna situação sine qua non  para que todo o processo e projeto seja eficiente e eficaz.

O educador é aquele que facilita as situações de aprendizagem, acompanhando os pequenos na exploração de temáticas diferenciadas e propostas pelos próprios alunos. Auxiliando-os assim a construir sua trilha personalizada de aprendizado. Um adulto que olha o mundo através do olhar da criança e que se permite fazê-lo. Observador e guia desse processo, o professor precisa conhecer muito bem a proposta e adequar-se a nova forma de ver a escola e o próprio aluno aprendiz.

 

O espaço é uma ferramenta importante na proposta da escola malaguzziana, isto porque  espaço-ambiente é observado em uma perspectiva estético-didática para pensar a prática educativa e o currículo na educação infantil.

 

Leitor, já percebeu como os ambientes “falam” e nos “acolhem” , ou não ? O ambiente é primordial para as relações humanas, comunicações e encontros. O pedagogo italiano defende, inclusive, que deve ser observada uma ordem e beleza em seu desenho (na arquitetura da praça, das paredes, do ateliê, da própria cozinha). Além disso, deve estar organizado. Cada espaço deve ser pensado para ter um objetivo e uma identidade.

 

Referência em atendimento à primeira infância, a proposta de Malaguzzi é um modelo italiano de educação infantil que tem ganhado o mundo. A maneira como a criança é vista e compreendida na sua totalidade lembra outras abordagens como o próprio holismo. Trata-se de uma educação voltada para os questionamentos, algo tão comum nas crianças, e suas vivências.

 

Em síntese, apresentamos a pedagogia Reggio Emilia e a construção das Escolas Malaguzzianas que considera a essência da criança. Um ser cheio de potencialidades e curiosidades. Inúmeras capacidades que, bem estimuladas, o levarão à descoberta do mundo e de si mesmo. Uma criança que vai construir seu conhecimento, cultura e identidade na relação com seus pares sendo protagonista do seu próprio aprendizado.

 

Amigo mantenedor de espaços de educação infantil, quer incorporar conceitos da Reggio Emilia na sua escola?  Providencie materiais para criar, improvisar e explorar que devem ficar ao alcance das crianças para que elas possam tornar seus pensamentos visíveis e discutíveis.

Você ou seus professores podem documentar a aprendizagem, enquanto esta vai se desenvolvendo, por meio de áudios, fotos, anotações e mais. Crie espaços diferenciados e deixe que a criança escolha onde e qual atividade fazer.

 

Crie uma atmosfera de acolhimento e respeito para com a “vontade”  e “disponibilidade interna” do aluno no que se refere à busca do conhecimento. E, finalmente, estabeleça conexões entre todos os atores do cenário educativo.

 

Loris Malaguzzi é um dos pensadores contemporâneos que mais deixará legado na construção de salas de ensino infantil ainda mais criativas, alegres e instigantes. O ensino dos pequenos e o próprio segmento da educação infantil fica mais rico com a intervenção deste cientista da educação.

 

 

Mais Referencial Histórico

 

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HORN, Maria da Graça Souza. Brincar e interagir nos espaços da escola infantil. Porto Alegre: Penso, 2017. 107 p.

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RINALDI, Carla. Diálogos com Reggio Emilia: escutar, investigar e aprender. Tradução de Vania Cury.2. ed. Rio de Janeiro/São Paulo: Paz e Terra, 2014. 397 p.

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