Internet das Coisas, Educação e Comunicação

por: Miguel Damasco

“Os homens criam as ferramentas, e as ferramentas recriam os homens”.
Marshall McLuhan

 

A evolução da tecnologia sempre influenciou a comunicação e esta, por sua vez, inspira a educação do seu tempo. Como uma espiral, a educação motiva o avanço tecnológico e assim por diante. Como exemplos deste ciclo, podemos citar a seguinte sequência: comunicação oral, a escrita impressa, a comunicação de um para um, de um para muitos e de muitos para muitos, a internet, e agora a comunicação entre objetos através de sensores.

 

Essa comunicação entre artefatos vem prosperando a cada dia, como o código de barras, a identificação por rádio frequência (RFID), o QR Code, a Near Field Communication, entre outros. Isso sem falar no progresso que o grafeno promete, mas isso é assunto para a próxima oportunidade.

 

Assim, surgiram a tecnologia vestível, o mapa de calor das partidas de futebol, controle de diversos aparelhos eletrodomésticos, coleira inteligente que acompanha funções vitais do animal de estimação, rastreamento de bagagem, localização através do GPS via smartphone e tantas outras possibilidades que esse aparelho celular representa como o verdadeiro exemplo de convergência digital e que nos possibilita conectividade e mobilidade.

 

Nesse contexto de comunicação entre objetos, aparece a Internet das Coisas (IoT), que pode ser definida como sendo um “um conjunto de redes, sensores, atuadores, objetos ligados por sistemas informatizados que ampliam a comunicação entre pessoas e objetos e entre objetos de forma autônoma, automática e sensível ao contexto. Objetos passam a “sentir” a presença de outros, a trocar informações e a mediar ações entre eles e entre humanos” (LEMOS, 2013).

 

Como aplicações da IoT citadas por Mancini (2017) em seus estudos, apresentamos algumas delas:

 

– Saúde: monitoramento da frequência cardíaca durante os exercícios e controle das condições dos pacientes em hospitais e em casas de idosos;
– Transporte: condições de tráfego, controle inteligente de rotas e monitoramento remoto do veículo, informações sobre acidentes e engarrafamentos;
– Distribuição de energia: acompanhamento de instalações de energia, subestações inteligentes, distribuição de energia automática e medições remotas de relógios residenciais;
– Casas inteligentes: medições remotas de consumo, economia de energia, controle inteligente de equipamentos residenciais e segurança residencial;
– Segurança pública: controle do transporte de cargas perigosas e químicas, monitoramento da segurança pública, câmeras inteligentes;
– Distribuição e logística: controle da cadeia de suprimentos, gerenciamento no armazenamento e na distribuição;
– Indústria: controle da poluição, monitoramento do ciclo de vida dos produtos, rastreamento de produtos na cadeia de abastecimento e controle dos processos de produção;
– Agricultura e recursos naturais: segurança e rastreabilidade de produtos agrícolas, gerenciamento de qualidade, monitoramento ambiental para produção e cultivo;
– Cidades inteligentes: além dos itens acima citados – monitoramento de vibrações e condições dos materiais em edifícios e pontes, controles de incêndios, disponibilidade de espaços livres para estacionamentos, otimizar a coleta de lixo.

 

Lendo as aplicações acima, sentimos a falta de um item extremamente importante: a Educação. Sendo assim, vem a pergunta que não quer calar: Como a IoT pode participar da vida de uma escola e na aprendizagem dos alunos?
Para Lopes (2016), ao conectar diferentes espaços e objetos da escola, um aluno poderia ter sua entrada identificada, utilizar o seu celular para acessar laboratórios, fazer pesquisas, verificar a disponibilidade de livros na biblioteca ou marcar reuniões. Tudo isso ficaria registrado, ao mesmo tempo em que sensores no material escolar poderiam contabilizar suas faltas.

 

Algumas pesquisas iniciais estão sendo feitas sobre Internet das Coisas na educação. Entre os aspectos mais levantados, encontramos:

 

– interação direta e contínua entre alunos e professores por meio de dispositivos móveis, potencial para aprendizagem móvel e ubíqua, armazenamento de informações nas nuvens, atendimento a alunos com necessidades especiais, capacidade de personalização do ensino para os estudantes, contextualização dos conteúdos ministrados, aprendizagem adaptativa através de plataforma inteligente que oferece ao aprendiz feedback individual de acordo com suas necessidades, realidade aumentada unindo o ambiente virtual ao mundo real e permitindo uma imersão natural e motivadora aos envolvidos no processo, simulação com sensores que capturam indicadores ambientais como calor, humildade, entre outros.

 

Assim, o conhecimento é construído por meio da interconexão desses sensores com dispositivos móveis criando situações reais alinhadas a ambientes virtuais. Tudo isso disponibiliza um número enorme de dados sobre eventos diversos para gestores e professores tomarem decisão, automatizando a participação de alunos, informativos sobre eventos, notas e desempenho nas disciplinas.

 

Como podemos perceber, é uma gama muito grande de oportunidades que se apresentam. E não para por aí. O que pretendemos é motivar todos os profissionais envolvidos com a educação sobre a IoT, principalmente na aprendizagem dos nossos alunos. Seja você o próximo a descobrir e aplicar novas possibilidades. Mãos à obra!

 

Referências:
– LEMOS, André. A Comunicação das Coisas: teoria ator-rede e cibercultura. São Paulo: Annablume, 2013.
– LOPES, Marina. Como a internet das coisas pode entrar na escola. Inovações em Educação. Porvir. Disponível em: < http://porvir.org/como-internet-das-coisas-pode-entrar-na-escola/> Publicado em: 20 mai 2016.
– MANCINI, Mônica. Internet das Coisas: História, Conceitos, Aplicações e Desafios. Disponível em: Publicado em: 13 fev 2017

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