Goles de Arte – oficina de pintura com café

por: Iasmin Oliveira

O presente artigo relata as experiências obtidas através da oficina “Goles de Arte – o café como instrumento de criação em Artes Visuais”, ministrada para alunos da Faculdade Paulista de Artes, durante a Semana Cultural de 2018. A oficina teve o café como elemento central, na busca de apresentar o fruto como matéria prima de grande proveito para a criação artística, bem como sua história e seu uso nas Artes Visuais.
Ao início da oficina foi feita uma retrospectiva histórica apresentando os caminhos percorridos pelo café até chegar ao Brasil, sua influência no crescimento do país, as heranças cafeeiras preservadas desde o período colonial, e as curiosidades sobre o fruto. Fator de grande importância para que os alunos pudessem entender como e por qual razão o café passou a fazer parte do cotidiano nacional.
Após a parte histórica foi dado início a prática, que visava a criação de pinturas utilizando o café como pigmento, a partir da técnica de pintura com aguada de tinta. Nessa etapa foram utilizados três tons de pigmento, diluídos proporcionalmente, até obter tons mais luminosos. A pintura foi realizada sobre papel canson ou aquarela, a depender do que dispunha cada aluno.
Durante a execução das pinturas várias discussões foram levantadas, desde questões históricas até técnicas, o que permitiu ver o interesse dos alunos frente a proposta apresentada. Questões sobre o tempo de secagem, utilização de outros suportes para pintura, fixação e perda da pigmentação.
Muitos nem sabiam da possibilidade de utilização do café como pigmento, nem da utilização de outros elementos relacionados ao café como filtro descartável, guardanapo, o próprio grão, ou mesmo a borra para realização de trabalhos artísticos. Por esta razão a oficina foi de grande valia, pois os alunos descobriram possibilidades de criação com um elemento que faz parte do dia-a-dia e ecoa muitos significados, seja afetivo, cultural, histórico ou artístico.
Posteriormente foi possível encontrar o trabalho artístico Lua (2018), da aluna Andréia Matos, realizado para outra disciplina e feito entre outros materiais com café, em que a aluna deu um destino diferente para a pintura, uma vez que o trabalho consiste em uma boneca tridimensional de tecido com vestido de atadura gessada pintado com café. Mais tarde a mesma aluna deu um feedback sobre a oficina:

“Você sabe que tenho um ateliezinho de costura. Minhas matérias primas são tecidos, rendas, lãs e linhas de algodão. Isso foi de uma riqueza sem fim. Nessa oficina sobre o café eu pude ter certeza de sua verdadeira riqueza, não apenas que enriqueceu os grandes barões de nossa história, mas a sua cultura, seu aroma marcante, sabor e o mais divertido foi brincar com suas nuances possíveis e transformando em lindas imagens pintadas com pincel sobre papel de aquarela. Dali eu tive a oportunidade de testá-lo em outros materiais, tingindo fita, tecidos, linhas, lãs e até mesmo atadura gessada. O resultado é muito bom. Um material barato e diverso.” (MATOS, Andréia, 2019)

Estimular a percepção dos alunos para as manifestações culturais e saberes tradicionais que ecoam em si, que fazem parte do seu cotidiano e do ambiente ao qual pertence é um dos papéis do arte-educador. Ao olhar atentamente para o cotidiano pode-se observar uma vasta gama de possibilidades a serem exploradas.
O café é essa matéria capaz de ser explorada de diversas formas, sempre agregando significado, pois além de sua materialidade ele é capaz de acionar a memória afetiva. Afinal quem não lembra de alguém, algum acontecimento ou local ao sentir o cheiro do café ou seu sabor?
Ao arte-educador cabe o papel deapresentar as possibilidades, já aos alunos cabe a função de explorá-las sempre e mais, e com isso nos surpreender e também ensinar.

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