Ensinar Exige Segurança, Competência Profissional e Generosidade

por: Sérgio Campelo

A frase acima é do educador Paulo Freire, pernambucano, amado por todos, incluindo aqueles que o compreenderam bem e aqueles que levaram suas frases ao pé da letra, sem talvez a devida contextualização. Ler Paulo Freire é compreendê-lo dentro de um contexto histórico, que se fazia e se faz cada dia mais libertador, e apreender seus ensinamentos é fundamentalmente importante e necessário por parte de nós, educadores, pois a responsabilidade de nossa função nos compromete em sermos grandes, com toda a acepção que essa palavra deve ter. Devemos nos conscientizar de que nossos ensinamentos ultrapassam as paredes da sala de aula, seja por meio dos próprios alunos quando contam sobre suas aulas em seus lares ou quando estamos em contato direto com os adultos, por exemplo, em uma reunião de pais. A proposta deste artigo é atualizar esses três valores: segurança, competência profissional e generosidade, e perspectivá-los para um futuro próximo e esperançosamente promissor, vinculando-os dentro da caracterização progressista à que se refere Paulo Freire quando trata da figura do professor e quando fala dos valores que todo educador deve vestir para ensinar bem, dentro da responsabilidade e completude que deve ter a sua atividade.

Segurança:

Como disse Paulo Freire, “a segurança é fundamentada na competência profissional”, no domínio do conteúdo a ser explicado, imbuído de valores humanos e éticos. Dominar o conteúdo não significa ser dono do saber, mas sim ter a segurança, responsabilidade ética e dimensão daquilo que soa a partir das palavras ditas. Além disso, segurança é não temer dúvidas, estimular perguntas e mediar conflitos, promovendo o relacionamento para a convivência pacífica em sociedade, principalmente com as diferenças, sejam elas de qualquer natureza.

Competência Profissional:

Umberto Eco escreveu uma vez (1979) que “se você quer usar a televisão para ensinar alguém, você deve primeiro ensiná-los a como usá-la”. O escritor e filósofo se referiu à televisão, mas podemos transferir sua afirmação para o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) que invadiram nossa vida cotidiana nas últimas décadas e que afetam a nossa cultura, a forma como nos socializamos, como pensamos o presente e pensaremos o futuro. Smartphones, computadores, tablets, jogos, enfim, esses dispositivos fazem parte do nosso cotidiano e, para ensinar sobre eles, devemos primeiramente conhecê-los, principalmente pela nossa responsabilidade de trazer esse contexto para a sala de aula, a fim de estimular as devidas competências nos nossos alunos. É necessário dominar o uso e a linguagem das mídias e toda a comunicação que circula por meio delas, principalmente aquelas que faltam com a verdade e são desprovidas de fontes confiáveis. Como afirma Paulo Freire, “ensinar exige rigorosidade metodológica” (1996), ou seja, o educador deve estimular no processo de ensino a capacidade crítica no educando sem a submissão cega para aquilo que recebe de informação.

Generosidade:

Todo Educador deve assumir e transferir em seus ensinamentos esse terceiro valor tão importante para a formação cidadã e para a convivência harmoniosa em sociedade: ser generoso. Conforme o Dicio (Dicionário Online de Português), generosidade é “um comportamento que expressa bondade”, e “de quem se sacrifica em benefício de outra pessoa”, seja um igual ou diferente, independente de cor, crença, religião, ideologia ou gênero. Como bem afirma o mestre Paulo Freire, “a prática preconceituosa de raça, classe, gênero ofende a substantividade do ser humano e nega radicalmente a democracia" (1996).

Precisamos todos os dias e incansavelmente plantar os ensinamentos do mestre e educador em nossos alunos, para que eles cresçam com esses valores e os multipliquem por meio da prática cotidiana, no seu lar e em todos os espaços em que convivam, privados ou públicos. Só assim, mudando nossas crianças e adolescentes, mudaremos nosso convívio social e faremos um Brasil cada vez melhor com a grandiosidade que ele merece ter.

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