Encorajando positivamente o engajamento e a motivação dos alunos

por: Entretanto

Motivar estudantes é um dos maiores desafios que os professores enfrentam diariamente. Conceituados como a energia e motivação dos alunos para se envolver, aprender, trabalhar de forma eficaz e atingir o seu potencial na escola, a motivação e engajamento, desempenham um importante papel no interesse e no aproveitamento dos alunos na escola (Martin, 2006). Compreensivelmente, ambos também desempenham papéis importantíssimos no desempenho escolar (Martin, 2001; Martin & Marsh, 2003). Consequentemente, os estudantes que são motivados e engajados no aprendizado, tendem a ter resultados acadêmicos consideravelmente acima e são mais comportados do que seus pares desmotivados e sem engajamento (Fredricks, Bulumenfeld, & Paris, 2004).

 

Enquanto muito da motivação é intrínseca do estudante, o professor também tem um papel fundamental na motivação e engajamento de seus alunos. Uma parte significativa do engajamento do aluno e suas realizações, tem sido explicada por variáveis atribuídas ao professor e ao ambiente da sala de aula (Hill & Rowe, 1996).  Assim, o objetivo deste artigo é discutir brevemente: a importância da motivação e engajamento na aprendizagem e comportamento dos alunos; o papel que os professores desempenham na motivação e engajamento dos estudantes; e sugestões de como fazer.

 

Engajamento e motivação dos alunos: impacto no aprendizado e no comportamento
O engajamento estudantil, descrito como a tendência de ser comportamental, emocional e cognitivamente envolvido em atividades acadêmicas, é o construto chave na pesquisa sobre motivação (Thijs & Verkuyten, 2009). Consequentemente, comparados com pares menos envolvidos, estudantes engajados demonstram maior esforço, experimentam emoções mais positivas e prestam mais atenção às aulas (Fredricks, Blumenfeld, & Paris, 2004). E mais, o engajamento tem sido associado com resultados estudantis positivos, incluindo notas mais altas e redução de evasão (Connell, Spencer, & Aber, 1994).
O impacto dos professores sobre o engajamento e a motivação dos estudantes
Os professores têm um papel essencial no engajamento e na motivação de seus alunos (Hill & Rowe, 1996). Embora muito seja intrínseco do aluno, pesquisas têm demonstrado que os professores têm uma função vital na motivação e engajamento de seus alunos. Nomeadamente, Martin (2006) comprovou que a satisfação e a confiança do professor em ensinar, a eficácia pedagógica e suas orientações afetivas em sala de aula, têm um impacto positivo no engajamento e na motivação dos alunos.De acordo com Bandura (1997), confiança é semelhante a autoeficácia. Os professores confiantes, ou autossuficientes tem demonstrado: a) a habilidade de gerar e testar cursos de ação alternativos quando o sucesso inicial pretendido não é atingido; b) trabalho superior através de elevados níveis de empenho e persistência; e c) elevada habilidade de lidar com situações problemáticas através de influenciando os processos cognitivo e emocional relacionados à situação (Martin, 2006).
Por outro lado, de acordo com Brandura (1997), professores com baixa confiança tendem a persistir em suas deficiências e enxergam as situações como mais difíceis do que elas realmente são. Involuntariamente, professores com alta confiança (autoeficácia) são mais inclinados a se engajar na pedagogia caracterizada por positividade, proatividade e na orientação focada em soluções, resultando no aumento da motivação e engajamento do aluno.A satisfação e a confiança dos professores em ensinar tem mostrado ter impactado positivamente sua orientação afetiva de seus alunos (ex., relações positivas aluno-professor), resultando no aumento da motivação e engajamento dos alunos. Teven e McCroskey (1997) descobriram que alunos que acreditam que seus professores se preocupam com eles, também acreditam que aprendem mais. Assim, relações positivas entre professores e alunos, predizem um desenvolvimento avançado, social, cognitivo e de linguagem, em crianças mais novas (Kontos & Wilcox-Herzog, 1997). De acordo com Flink, Boggiano e Barrett (1990), aqueles professores que apoiam a autonomia dos alunos, tendem a promover neles grande motivação, curiosidade e o desejo de serem desafiados. Finalmente, relações positivas com professores são associadas com engajamento emocional, cognitivo e comportamental em classe (Connell & Wellborn, 1991).
Dicas para melhorar a motivação e o engajamento estudantil
As dicas a seguir são fornecidas em um esforço para equipar professores com sugestão de como podem proativamente iniciar o ano escolar, de maneira a melhorar e cultivar a motivação e engajamento dos alunos.Reconhecer e melhorar a estabilidade mental e física. Ensinar é um trabalho estressante e é imperativo que os professores cuidem de seu estado mental e físico. Os professores devem se envolver em atividades que sejam relaxantes e fisicamente desafiantes. Tendo uma saída para aliviar o estresse irradiará pela classe e, positivamente, melhorará as relações aluno-professor. Quando os professores se sentem bem, eles têm mais paciência e interagem melhor com os alunos. Possíveis alívios para o estresse incluem: yoga, corrida, academia, comida saudável, dança, ciclismo ou meditação.Garantir que a sala de aula seja acolhedora para alunos de todas as culturas. Para estar engajado, os alunos precisam sentir que estão em um ambiente onde são aceitos e reconhecidos.  Garanta que a sala de aula é acolhedora e convidativa para todos.

Melhorar a autoconfiança dos alunos. Pesquisas mostram que os alunos se engajam quando agem como os seus próprios agentes de aprendizagem, trabalhando para atingir metas importantes para eles. Eles devem acreditar que podem aprender, que podem saber como lidar com falhas e aprender com estas experiências. Incorporar atividades de soluções de problemas e promover debates quando falhas ocorrem. Permitir aos alunos o controle sobre a aprendizagem. Isto os ajuda a desenvolver confiança e comprometimento com o aprendizado.

 

Entrevistar estudantes para obter informações sobre o que gostam e o que não gostam. Entender o que os estudantes gostam e o que não gostam, pode mostrar áreas em que os professores podem se conectar com os alunos (ex. livros, filmes e vídeo games favoritos). Informações coletadas nas entrevistas podem ser utilizadas para engajamento comportamental e acadêmico, ou como um meio de construção de relacionamento com o aluno (ex. um tópico para conversar).

 

Permitir aos alunos trabalhar autonomamente, a aproveitar relacionamento de aprendizado com os pares e sentir que são competentes para atingir seus objetivos. Ao permitir que alunos trabalhem autonomamente e com seus colegas, desenvolvendo seu senso de competência, resulta em aumento da motivação. Isto foca na edificação da motivação intrínseca, que fomenta a autodeterminação e conduz ao engajamento.

 

Criar oportunidades de aprendizado que sejam ativas, colaborativas e promovam relações de estudo. Grupos de estudo ativos, relacionamento entre os colegas e habilidades sociais, são componentes-chave para engajamento e motivação.

 

Criar experiências educacionais para alunos que sejam desafiantes e enriquecedoras, que complementem suas habilidades acadêmicas. Atividades de aprendizado e avaliações fáceis não são tão efetivas em envolver os alunos, quanto as atividades e avaliações mais desafiadoras. Quando alunos estão refletindo, questionando, conjecturando, avaliando e fazendo conexões entre ideias, eles estão engajados. Os professores devem criar experiências educacionais ricas, que contestem as ideias dos alunos, e que os desafiem a irem tão longe quanto puderem (Zepke & Leach, 2010).

 

Reconhecer que o ensino e os professores são pontos centrais para o engajamento dos alunos. Manter-se atualizado com estudos educacionais, através do envolvimento em atividades de desenvolvimento profissional (lendo jornais, participando de workshops ou webinars, etc.) é essencial para que professores permaneçam utilizando estratégias baseadas em estudos e técnicas efetivas.  Motivar alunos e promover engajamento não é uma tarefa fácil para professores. Enquanto muito da motivação é intrínseca do aluno, os professores têm um papel vital, e podem ser proativos, no cultivo do engajamento estudantil. O aumento do da motivação e do engajamento do aluno é essencial para seu sucesso acadêmico e social.

 

Sobre a autora

Tammy L. Stephens, Ph.D.
Tammy L. Stephens, Ph.D., é ex-consultora de avaliação da Pearson. Antes de trabalhar na Pearson, a Dra. Stephens trabalhou como professora de educação especial (trabalhando com estudantes com disfunções emocionais/comportamentais), diagnósticos educacionais e professora assistente na Texas Woman’s University.  A Dra. Stephens tem representado em questões relacionadas com a avaliação e intervenção em nível local, estadual, nacional e internacional. Ela também tem publicado diversos livros e em revistas educacionais.

Referências
Bandura, A. (1997). Self-efficacy: The exercise of control. New York: Freeman & Co.
Connell, J., Spencer, M., & Aber, J. (1994). Educational risk and resilience in African-American youth: Context, self, action, and outcomes in school. Child Development, 65, 493-506.
Connell, J., & Wellborn, J. (1991). Competence, autonomy, and relatedness: A motivational analysis of self-system processes. In M. R. Gunnar, & L. A. Sroufe (Eds.), Self process in development: Minnesota Symposium of Child Psychology (Vol 29. pp. 244-254). Hillsdale, NJ: Lawrence Erlbaum Associates.
Fredericks, J., Blumenfeld, P., & Paris, A. (2004). School engagement: Potential of the concepts, state of the evidence. Review of Educational Research, 74, 59-109.
Hill, P., & Rowe, K. (1996). Multilevel modeling in school effectiveness research. School Effectiveness and School Improvement, 7, 1-34.
Kontos, S., & Wilcox-Herzog, A. (1997). Influences on children’s competence in early childhood classrooms. Early Childhood Research Quarterly, 12, 247-262.
Martin, A. (2006). The relationship between teachers’ perceptions of student motivation and engagement and teachers’ enjoyment of and confidence in teaching. Asia-Pacific Journal of Teacher Education, 34(1), 73-93.
Martin, A. (2001). The student motivation scale: A tool for measuring and enhancing motivation. Australian Journal of Guidance and Counseling, 11, 1-20.
Martin, A., & Marsh, H. (2003). Fear of failure: Friend or foe? Australian Psychologist, 38,31-38.
Teven, J., & McCroskey, J. (1997). The relationship of perceived teacher caring with student learning and teacher evaluation. Communication Education, 46, 1-9.
Thijs, J., & Verkuyten, M. (2009). Students’ anticipated situational engagement: The roles of teacher behavior, personal engagement, and gender. The Journal of Genetic Psychology, 170(3), 268-286.
Zepke, N., & Leach, L. (2010). Improving student engagement: Ten proposals for action.Active Learning in Higher Education, 11(3), 167-177.

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