Conectando a sala de aula e o mundo com a realidade aumentada

por: Entretanto

Para os alunos do colégio Bryn Mawr, a realidade aumentada é mais do que apenas diversão e jogos: ela tem sido uma oportunidade de aprender a desenvolver plataformas de tecnologia inovadoras, em tempo real.

 

Vários alunos desta instituição de ensino superior norte-americana participaram de um programa de estágio que serviu exclusivamente a explorar aplicativos potenciais de educação com o HoloLens, da Microsoft, um dispositivo de realidade aumentada (RA) que sobrepõe imagens de 2D ou 3D em seu ambiente.

 

Dois alunos, Linghan Mei e Hyunjung Kim, participaram de testes com o dispositivo durante as férias de inverno. A equipe deles fez um estágio e trabalhou em conjunto para construir o HoloMusic, um aplicativo de orquestra virtual.

 

“Foi mais um processo de aprendizagem autodirigida. Minha equipe e eu tivemos a liberdade criativa para realmente considerar os benefícios reais desta tecnologia e desenvolver uma aplicação útil para ela.”, diz Linghan.

 

Este estágio faz parte do esforço do colégio Bryn Mawr em proporcionar aos alunos experiências práticas que os ajudem a desenvolverem uma percepção maior do tipo de aprendizagem STEM – Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática (em inglês Science, Technology, Engineering, and Mathematics) e colocarem em prática suas habilidades, mas de maneira impactante e muito além da sala de aula.

 

“A aprendizagem experiencial ajuda os alunos a verem a conexão entre um ambiente acadêmico e o mundo real,” diz Jenny Spohrer, Diretor de Serviços de Tecnologia Educacional da Bryn Mawr.

 

Aprendendo através da ação

 

Quando My Nguyen, uma aluna do segundo ano de ciências da computação, começou o estágio no HoloLens, ela pensou inicialmente nos aplicativos potenciais para o dispositivo por uma perspectiva que envolvia puramente a aprendizagem STEM.

 

Porém, uma vez que começaram a pensar além de suas próprias experiências, a equipe dela percebeu que poderiam criar um aplicativo melhor, pensando de maneira multidisciplinar. A equipe passou cerca de 10 semanas criando um aplicativo de museu virtual chamado de HoloMuseum.

 

“Percebemos que precisávamos considerar outras perspectivas. Por isso, decidimos nos concentrar em um aplicativo para as Ciências Humanas que pudesse realmente beneficiar o espaço digital desta tecnologia — um museu”, ela diz.

 

A equipe teve um momento revelador quando Palak Bhandari, um tecnólogo educacional da Bryn Mawr, organizou uma reunião para que eles se encontrassem com Carrie Robbins, a Curadora e Articuladora de Arte da universidade.

 

“A Dr. Robbins nos ajudou a entender as limitações do mundo real no espaço físico do Museu e como poderíamos ir além da utilização dessa tecnologia. Em um museu, você não pode chegar perto de um objeto ou tocá-lo — mas a tecnologia permite que você o visualize de todos os ângulos ” diz My.

 

Ajudar os alunos a verem as coisas de uma maneira nova é uma grande parte do que os educadores das artes da instituição esperam conseguir, através da mistura das oportunidades de aprendizagem interdisciplinares.

 

“Colaborar com uma especialista no assunto reforçou nossa experiência e nos levou a desenvolver um aplicativo melhor e mais pensativo” diz Palak.

 

Leia mais: A tecnologia educacional está funcionando?

 

O valor do processo

 

Os participantes do programa de estágio concordam que o processo de desenvolvimento de um aplicativo do HoloLens foi tão importante quanto a conclusão bem-sucedida do projeto.

 

Além do trabalho de codificação e de desenvolvimento que alcançaram os produtos finais, os alunos aprenderam as habilidades de gestão de projetos como: criar uma linha do tempo e reunir marcos periódicos.

 

“Eu nunca tinha trabalhado com esse tipo de tecnologia antes — sou bióloga e especialista em alemão! Mas eu aprendi que se você for claro sobre seu objetivo final, não é impossível começar do zero. Qualquer pessoa pode apresentar os passos para o sucesso ” diz Linghan.

 

Na medida em que colaboravam, os alunos aprenderam também que as habilidades sociais e emocionais, como a construção do relacionamento e da comunicação, são tão cruciais para o sucesso de um projeto quanto a competência tecnológica.

 

“Mais comunicação significa mais contribuição de ideias. Depois de entender os pontos fortes dos membros de sua equipe, vocês podem resolver os problemas juntos, de maneira mais eficaz “, diz Hyunjung.

 

Capacitando as mulheres através da aprendizagem STEM

 

Enquanto participava do estágio, My e sua colega de equipe, Nadine Adnane, frequentaram a Hackathon Microsoft, evento sobre tecnologia. Em um momento, o apresentador pediu para que alguém que já tivesse trabalhado com o HoloLens levantasse a mão.

 

De uma porção de participantes que levantaram a mão, apenas três deles eram mulheres — incluindo My e Nadine.

 

“Foi uma sensação louca,” – diz My – “Parece que essa situação forçou a todos os presentes a reconhecerem que as mulheres podem ser uma força poderosa na aprendizagem STEM”.

 

“Queremos ajudar nossos alunos a reivindicarem as habilidades que eles precisam para o futuro” – diz Palak – “Mas nós também queremos lutar contra o estereótipo de que as mulheres não estão interessadas na aprendizagem STEM”.

 

A sala de aula do futuro

 

“A tecnologia da realidade aumentada está na posição do que foi o iPhone há 10 anos”, diz Jenny.

 

O que significa que o HoloLens e os dispositivos de realidade virtual e aumentada semelhantes podem um dia serem divisores de águas na educação — em termos de acessibilidade e viabilidade.

 

Linghan, Hyunjung e My enxergam o enorme potencial para jovens programadores ajudarem a mudar as coisas para melhor, através da tecnologia da realidade aumentada.

 

“Nosso aplicativo HoloMusic, por exemplo, seria uma ótima maneira dos alunos se familiarizarem com os vários instrumentos musicais, se uma escola limitasse o financiamento de uma orquestra”, diz Linghan.

 

My também participou de um workshop para aprender mais a respeito de como a tecnologia da realidade aumentada pode ajudar as pessoas com deficiência.

 

“Graças à RA, as pessoas com deficiência podem experimentar as coisas que elas simplesmente não podem fazer na vida real. Essa é uma ferramenta tão poderosa – tanto em um ambiente de sala de aula quanto em um contexto maior de suas vidas ” diz My.

 

Texto originalmente publicado em Pearson Learning.

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