Como uma professora está capacitando pessoas através da aprendizagem

por: Entretanto

Quando a professora de psicologia e doutora Aubrey Moe, trabalhou com pessoas portadoras de esquizofrenia e de outros transtornos psicóticos pela primeira vez, a sua percepção em relação às doenças mentais se expandiu: o que, para ela, era uma mera definição perfeita, passou para a observação dos transtornos que as pessoas vivem a cada dia.

 

“É fácil apenas denominar certos tipos de sintomas psiquiátricos em detrimento de enxergar o lado humano e o que faz com que cada indivíduo seja quem ele é. Eu tinha lido sobre a psicose nas minhas aulas e durante a minha formação inicial, mas foi uma experiência completamente diferente interagir e aprender com os indivíduos que convivem com esses distúrbios”, diz ela, que também participou do programa de carreiras de 2016 pela Pearson.

 

Trabalhar de perto com estes indivíduos alimentou sua determinação em ajudar as pessoas que sofrem de distúrbios mentais a compreenderem seus sintomas e a viverem suas vidas de forma significativa. Afinal, mesmo quando estas pessoas experimentam uma redução ou uma remissão dos sintomas psiquiátricos, muitas vezes continuam a enfrentar outras lutas em suas vidas diárias.

 

“Mesmo com um tratamento coerente, muitos aspectos mentais afetados por transtornos psicóticos permanecem, e para algumas pessoas, os sintomas nunca desaparecem completamente,” explica ela.

 

Atualmente, Aubrey trabalha no Centro Médico de Wexner na Universidade do estado de Ohio. Neste Centro, ela trabalha para tornar os tratamentos especializados mais acessíveis aos indivíduos que vivenciam a psicose, até mesmo quando eles estão recebendo tratamento através de internação psiquiátrica.

 

A intervenção precoce é fundamental, diz Moe, para conseguir o melhor impacto na vida do paciente: “Meu objetivo é munir os jovens portadores de psicose com as habilidades sociais necessárias para compreenderem de maneira bem-sucedida as relações interpessoais e profissionais.

 

Sabemos que a atenção psicossocial especializada é eficaz quando prestada o quanto antes, mas datar a grande maioria dessas intervenções só é possível para pessoas em regime ambulatorial”, reforça ela.

 

Porém, seu projeto de trabalho pretende mudar isso.

 

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Uma experiência diferente da realidade

 

Conviver com sintomas de psicose, explica a doutora, pode, às vezes, dar a sensação de viver em uma realidade alternativa.

 

“Alucinações, delírios e pensamento paranoico são algumas das experiências confusas e possivelmente assustadoras para uma pessoa que sofre de psicose. Estes sintomas podem causar uma mudança significativa na vivência da realidade de uma pessoa”.

 

Porém, nem todos os sintomas de psicose são tão viscerais. Alguns dos sinais iniciais e dos sintomas comportamentais de psicose mais comuns incluem: indiferença às atividades ou aos hobbies anteriores, desinteresse na comunicação com os pais e com os amigos, e a diminuição do desempenho acadêmico.

 

Muitos destes sinais, explica ela, espelham o que pode ser “comportamento adolescente normal” e, portanto, torna-os difíceis de serem identificados pela família e pela sociedade.

 

“Se as famílias estiverem preocupadas, acreditando que tais mudanças podem ser sintomas de doença mental, recomendo que, primeiramente, elas façam um acompanhamento com um profissional de saúde mental.”

 

Manter um diálogo aberto sobre a saúde mental e o bem-estar pode ajudar também as famílias a se comunicarem de maneira eficaz.

 

Uma das melhores coisas que as famílias podem fazer para apoiar as pessoas com sintomas de psicose, acrescenta Moe, é obter informações e se apoiarem, buscando o apoio de outros pais e de outras famílias que compartilham dessa experiência.

 

Colocar as pessoas no comando

“Há três pedidos que escuto com uma maior frequência dos jovens portadores de psicose: ‘Quero voltar à escola’, ‘Quero voltar ao trabalho’, e ‘Quero fazer mais amigos. Embora muitas pessoas queiram o tratamento para aprender a controlar os sintomas da doença, seríamos negligentes em não reconhecer que muitos de seus resultados desejados são objetivos que vão muito além de alucinações ou ilusões”, reforça a doutora.

 

Munir os jovens com habilidades e com estratégias para alcançar esses objetivos é o que os ajuda a seguirem em frente, continuando ou não a portarem os sintomas psiquiátricos. Muitas vezes, é necessário mais do que a medicação para ajudar os pacientes a alcançarem esses objetivos.

 

O tratamento típico para os sintomas psicóticos inclui uma combinação de medicamentos, terapia e outros cuidados baseados em evidências.

 

“Um dos aspectos mais importantes do atendimento psicossocial para psicose é ajudar as pessoas a se sentirem fortalecidas em suas vidas. Quero colocá-los no comando de seus cuidados e de suas vidas”.

 

A abordagem de tratamento da doutora Moe envolvem uma experiência de terapia em grupo que ajuda os participantes a focarem nos aspectos fundamentais de criarem e manterem relacionamentos. Os pacientes aprendem as habilidades sociais importantes como conversarem de maneira bem-sucedida, como responder ao bullying e como cultivar amizades.

 

“Isso pode parecer simples”, explica ela, “mas estas são habilidades já não pareciam mais naturais para muitas pessoas afetadas pela psicose ou que possivelmente nunca foram aprendidas. Queremos ajudar as pessoas a maximizarem suas chances de sucesso nas interações sociais. Espero que o futuro delas seja brilhante”.

 

E se emociona ao relembrar as boas histórias: “Já tive participantes dos meus grupos que se aproximaram de mim e disseram: ‘Ei, eu tentei essa técnica para iniciar uma conversa com alguém e ela realmente funcionou!’ Eu também já vi eles aplicarem essas habilidades para iniciarem e manterem diálogos comigo”.

 

Combatendo o estigma

 

“Infelizmente, a cultura pop e a mídia continuam a alimentar o estigma da psicose e da doença mental. E nós realmente precisamos trabalhar para mudar isso”, acredita a doutora.

 

Segundo ela, essoas portadoras de doenças mentais e principalmente, as portadoras de psicose são desproporcionalmente representadas como violentas e criminosas, quando na realidade elas estão mais propensas a serem as vítimas de um crime do que a cometerem um.

 

E salienta: “transtornos psicóticos são doenças graves com sintomas graves, mas é importante lembrar que as pessoas portadoras de psicose são seres humanos”.

 

Texto originalmente publicado em Pearson Learning.

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