Bullying na sala de aula: como o professor pode ajudar

por: Tonia Casarin

O que é o bullying?

 

O bullying se caracteriza por agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva, por um ou mais alunos contra um ou mais colegas. Ele pode ocorrer por diferenças entre colegas, sejam diferenças físicas, cor de pele, tipo de cabelo, religião, entre outros. Pode ocorrer por diferenças sociais e intelectuais também. Ou até mesmo quando alguns colegas pertencem a um grupo social, como os caracterizados “nerds” pelos próprios alunos.

 

Discussões ou brigas pontuais não são bullying. O que caracteriza se é bullying ou não é a consistência em que ocorre com as mesmas vítimas e autores, e que eles sejam pares, como colegas de classe ou até de trabalho. Conflitos entre professor e aluno ou aluno e gestor também não são considerados bullying.

 

“Todo bullying é uma agressão, mas nem toda a agressão é considerada bullying.”

 

O bullying não é um fenômeno recente, apenas ganhou mais visibilidade nos últimos anos.

 

Bullying na escola

 

Uma pesquisa nacional sobre bullying mostra que, de 5.168 alunos entrevistados, de 5ª a 8ª séries de escolas públicas e particulares de todas as regiões do País, 10% disseram ser vítimas de bullying e 10% agressores. Além de 3% serem vítimas e agressores ao mesmo tempo.

 

O mesmo estudo mostrou o despreparo das escolas e dos professores em lidar com essa situação: a maior recorrência do problema, ocorre dentro das salas de aulas, mesmo com os professores presentes.

 

Desse modo, o papel do professor na prevenção desse problema é fundamental, uma vez que sua intervenção influencia os acontecimentos. A vítima aguarda a intervenção nas “agressões” ocorridas em sala de aula, o que nem sempre acontece. Essas “agressões” muitas vezes escapam à percepção dos professores. Ou então, mesmo percebendo, eles decidem não tomar providências para que esse comportamento pare, seja por falta de conhecimento de como endereçar esse problema, por falta de direcionamento da escola ou até por medo em alguns casos. Quando a omissão do professor acontece, os agressores são fortalecidos, já que não são responsabilizados. E o problema não é estancado e se perpetua, sendo um ciclo vicioso de agressão na sala de aula. Vamos entender o que leva os autores do bullying a participarem dessas agressões?

 

O que leva o agressor a fazer bullying?

 

Alguns motivos podem levar o agressor a fazer o bullying: Querer ser mais popular, sentir-se poderoso e obter uma boa imagem de si mesmo são alguns motivos que especialistas e psicólogos atribuem ao agressor. Essas motivações levam a criança a atingir o colega com repetidas humilhações ou depreciações.

 

 

Podemos ter um olhar e entender o agressor como uma pessoa que não aprendeu a transformar sua raiva em diálogo. E mais, que não liga muito para o sofrimento do outro, a ponto de perpetuar suas atitudes. Pelo contrário, ele sente-se satisfeito com a opressão do outro.

Dificilmente a escola consegue resolver o problema do agressor sozinha, mas é normalmente nesse ambiente que se demonstram os primeiros sinais de um praticante de bullying. Portanto, é importante endereçar o ponto com a direção da escola, com o aluno e com sua família. O diálogo e a abordagem de ajuda e auxílio daquela criança muitas vezes é suficiente para terminar ou reduzir esses incidentes na escola. Tente não usar a palavra bullying, que, muitas vezes, pode gerar rejeição por parte do agressor e dos pais. Faça perguntas para os pais, para que ambos entendam a atitude do aluno, sugira aos pais alternativas para controlar esse comportamento e mostre-se como aliado. Você quer o bem os alunos, dentro e fora da sala de aula, mostre apoio para ajudá-los a passar por esse obstáculo juntos.

 

Leia mais: Medidas para evitar o bullying.

 

Leia mais: Sala de aula como um espaço seguro.

 

 

Quais são as consequências para o aluno que é alvo de bullying?

O aluno que sofre bullying, principalmente quando não pede ajuda, enfrenta medo e vergonha. Em grande parte das vezes, rejeita ir à escola, usando todas as estratégias criativas de uma criança: dores frequentes, choro, motivos não necessariamente relacionados ao bullying. A criança também tem vergonha de falar que sofre bullying. Muitas das vezes, porque apelidos, como “gordo”, por exemplo, corroboram uma autoimagem que este aluno tem de si mesmo.

 

Quando mais velha, na pré-adolescência ou adolescência, a criança pode querer abandonar os estudos, não se achar bom o suficiente para fazer parte do grupo, não sentir que pertence aquela escola ou turma, e apresentar baixo rendimento. Uma pesquisa da Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência (Abrapia) revela que 41,6% das vítimas nunca procuraram ajuda ou falaram sobre o problema, nem mesmo com os colegas.

 

Quando as vítimas percebem que seus agressores ficam impunes, elas podem escolher outras pessoas mais indefesas e passam a provocá-las, tornando-se alvo e agressor ao mesmo tempo e perpetuando o clima de tensão na escola.

 

O que o professor pode fazer para ajudar as vítimas e também os agressores?

 

Como professor, você pode observar crianças que são mais ansiosas, estão mais silenciosas ou com medo, aquelas que tentam ser invisíveis. A observação dos alunos vai te ajudar a identificar possíveis agressores e vítimas, agora, com um olhar um pouco mais qualificado do que você enxerga. Verifique se há algum tipo de apelido a algum aluno, palavras ofensivas, cutucões, beliscões, ou até mesmo risadas direcionadas a alguém. Geralmente, são sinais de bullying.

 

Atue imediatamente quando você presenciar um ato agressivo. Assim, você pode controlar o comportamento enquanto ele ocorre e dar o exemplo para todos os alunos. Ao surgir uma situação em sala, a intervenção deve ser imediata. Se o professor se omite, por exemplo, ele abre espaço para outros atos como esse acontecerem. O professor é o primeiro a mostrar respeito e dar o exemplo na sala de aula. Ele é também, o detentor do clima de sala de aula.

O professor também pode incentivar a solidariedade, a generosidade e o respeito às diferenças por meio de conversas, campanhas de incentivo à paz e à tolerância, trabalhos didáticos, como atividades de cooperação e interpretação de diferentes papéis em um conflito. Além disso, podem trabalhar a empatia em sala de aula e perguntar como a turma acha que um colega se sente.

 

 

Como agentes de mudança, nós, professores, temos que estar atentos e sermos os guardiões da segurança dos nossos alunos e do clima favorável ao aprendizado.

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