Avaliação do desenvolvimento na primeira infância: por que fazer?

por: Entretanto

Ao trabalharmos com crianças pequenas, há sempre uma resistência por parte de diversos profissionais quanto à necessidade de se estabelecer um diagnóstico e um tratamento em uma fase tão precoce da vida. De fato, nesta faixa etária a apresentação de sintomas comuns em alguns transtornos mentais e do neurodesenvolvimento não é tão clara assim, e o estabelecimento de diagnósticos fechados pode não ser aplicável para muitos casos. Sendo assim, será que realmente devemos nos preocupar com a avaliação nesta faixa etária?

 

A resposta para esta pergunta se torna clara quando consideramos a relação entre sinais de atraso de desenvolvimento nesta faixa etária e desfechos futuros para crianças. Atrasos motores, sociais, de autonomia e da linguagem estão associados com o surgimento, em anos posteriores, com transtornos do neurodesenvolvimento, como a Deficiência Intelectual, o Transtorno de Espectro Autista, Transtornos de Linguagem e Transtornos Motores1. Para além deste fator, a avaliação formal do desenvolvimento na primeira infância ajuda a identificar possíveis atrasos do desenvolvimento, mesmo que não exista um diagnóstico final a ser estabelecido.

 

Neste sentido, a avaliação nesta faixa etária buscará analisar sinais de desenvolvimento típico e de desenvolvimento atípico da criança. O desenvolvimento atípico pode envolver tanto o atraso em alguma área do desenvolvimento quanto a presença de comportamentos incomuns para qualquer faixa etária (por exemplo, o comportamento de bater a cabeça na parede não é esperado em nenhuma idade)2. Vale notar que, em alguns casos, os atrasos do desenvolvimento podem ser completamente superados através de intervenções. Assim, o foco da avaliação nesta idade não é apenas estabelecer um diagnóstico, mas caracterizar as potencialidades e dificuldades da criança. Além disso, crianças nesta faixa etária são muito sensíveis à estimulação ambiental e, uma vez identificados os sintomas de desenvolvimento atípico, é possível determinar intervenções que visem tanto o tratamento quanto a prevenção de surgimento de sintomas mais graves posteriormente.

 

Atualmente, existem poucos instrumentos no Brasil que permitem qualquer tipo de avaliação padronizada de crianças até os 3 anos de idade. Para sanar essa lacuna, as Escalas Bayley de desenvolvimento de bebês e crianças – 3a Edição (Bayley-III) chegarão ao Brasil no primeiro semestre de 2018. O teste é considerado padrão-ouro na avaliação do desenvolvimento, e é adequado para crianças de 16 dias até 42 meses de idade. O Bayley-III permite avaliar cinco domínios de funcionamento: cognitivo, linguagem (receptiva e expressiva), motor (habilidades fina e grossa), comportamento adaptativo e socioemocional. A avaliação dura entre 30 a 90 minutos, dependendo da idade da criança, e seu uso não é exclusivo para psicólogos.

 

O instrumento permite uma aplicação bastante dinâmica que se adapta à habilidade da criança. O uso do Bayley-III sozinho (sem contar com a utilização de outros instrumentos) permite o estabelecimento do diagnóstico de Atraso Global do Desenvolvimento. Este transtorno faz da categoria de Deficiências Intelectuais, e é diagnosticado em crianças com menos de 5 anos de idade que não alcançam os marcos de desenvolvimento em várias áreas da função intelectual, conforme avaliadas por um instrumento padronizado.

 

O diagnóstico deste transtorno exige ainda que a criança realize acompanhamentos sucessivos para confirmação do atraso de desenvolvimento ao longo do tempo3. Crianças com diagnóstico de Atraso Global do Desenvolvimento com frequência são posteriormente diagnosticadas com Deficiência Intelectual quando atingem a idade escolar. Uma vez que o diagnóstico deste transtorno demanda o uso de um instrumento padronizado, a utilização do Bayley-III torna-se extremamente necessária no Brasil.

 

Para além do diagnóstico de Atraso Global do Desenvolvimento, o Bayley-III pode também auxiliar na avaliação de queixas de autismo, transtornos de linguagem e motores, bem como na avaliação de crianças com síndromes genéticas, prematuras, com baixo peso ao nascer ou que sofreram algum prejuízo pré-natal ou neonatal. Neste caso, o Bayley-IIIajuda a fornecer uma caracterização cognitiva e comportamental da criança, permitindo a identificação de potencialidades e dificuldades a serem trabalhadas.

 

Para que você já vá se preparando para o uso deste instrumento, a Pearson traz para o Brasil o livro Bayley-III – Uso clínico e interpretação, que busca auxiliar os profissionais na interpretação e na integração dos resultados da avaliação diagnóstica e do planejamento de intervenção a partir do uso do Bayley. Não deixe de conferir!

 

Texto originalmente publicado em Pearson Clinical.

Esse autor não tem outras matérias publicadas

Receba nossa News

A Educação é feita da união de conhecimentos. Preencha seu e-mail e receba nossos conteúdos atualizados!

*Não lote sua caixa de e-mail. Nossas newsletters são enviadas quinzenalmente e trazem um resumo dos melhores conteúdos publicados.