Além das tendências: 6 coisas importantes para se ter em mente

por: Entretanto

Desde a gestão do aprendizado até a aprendizagem de línguas, mais e mais startups estão tentando preencher as lacunas e construir pontes no crescente mercado global de educação.

No entanto, antes de se aventurar no espaço “EDTECH”, há várias questões e pontos nevrálgicos que os empreendedores devem ter em mente, a fim de reinventar o processo de aprendizagem com as ferramentas certas e para resultados apropriados.

  • Aprender a aprender, bem como ter uma mentalidade de crescimento, é a coisa mais importante para ser desenvolvida

 “Em uma mentalidade estática, as pessoas acreditam que suas qualidades básicas, como sua inteligência ou talento, simplesmente são traços imutáveis. Passam o tempo documentando sua inteligência ou talento em vez de desenvolvê-los. Também acreditam que o talento por si só cria sucesso, sem esforço.”

 

Novas práticas de ensino são projetados para ajudar os alunos a se adaptar a novas situações e construir entendimentos originais de forma mais eficaz. A EDTECH pode ajudá-los a conseguir isso através da construção de motivação intrínseca e uma mentalidade de crescimento (a crença de que a inteligência pode ser desenvolvida). O conceito de uma mentalidade de crescimento foi desenvolvido pela psicóloga Carol Dweck e aborda a percepção da personalidade em um contexto educacional para mudar a construção de habilidades, as conquistas da aprendizagem e vai além. A EDTECH é sobre a criação e desenvolvimento do caráter e não somente observação.

Para colocar isto em perspectiva, ampliar a narrativa do estudante deve ser uma prioridade para entender o que está em jogo na EDTECH e como ela pode capacitar os próprios alunos. A EdSurge lançou recentemente sua própria publicação EdSurge Independent, para fomentar a reflexão crítica sobre os produtos de educação e de EDTECH, porque a voz do estudante está muitas vezes ausente da conversa.

  • EDTECH é fundamental para renovar (e não substituir) o ensino superior

A ideia da universidade se diversificando e expandindo complica o panorama do ensino superior.

MOOC não elimina a necessidade da educação da faculdade e os softwares não estão fazendo isso também, embora possa separar a experiência da faculdade gradualmente para se concentrar sobre o verdadeiro valor adicionado.

Quais são os benefícios individuais e sociais de possuir ensino superior? Faculdades e universidades têm acesso a um conjunto cada vez maior de dados sobre a forma como os alunos interagem com seu ambiente de aprendizagem. A questão agora é aprender a lidar com os novos dados e insights para aproveitar ao máximo desta visão periférica do processo de aprendizagem dos alunos.

Infelizmente, o fascínio inicial revela dificuldades na formação como apenas 41% das instituições usando dados para análise prognóstica: deveriam desenvolver a sua própria agenda, e ser, além de compradores inteligentes, usuários absortos. Há uma necessidade crescente de uma visão mais clara sobre essas questões para educadores e diretores, a fim de manter o ensino superior relevante e preencher a lacuna de capacidades: alguém precisa identificar as melhores práticas em iniciativas conduzidas pelos professores no intuito de torná-las relevantes para todas as partes. Credenciais estão se tornando um dos temas mais quentes no ensino superior.

  • A educação criadora interessa dentro e for a da escola para passar de currículo para projetos baseados em conhecimento

A educação criadora também pode integrar o currículo escolar e ir além de seu estado atual de confinamento e isolamento em um quarto ou hackerspace. A dependência de equipamentos complexos também não é necessária, como o Albemarle County Schools tem mostrado nos Estados Unidos. Mais que uma máquina, se trata de incorporar o ideal de criador (colaboração, experimentação, criação). O aprendizado e ajustes podem ser feitos em qualquer lugar com um baixo orçamento, trata-se apenas de dar tempo e espaço para que isso aconteça, e formas de mostrar o poder desta criação.

FabLab@School é uma rede global com sede em Stanford que permite uma reflexão mais profunda sobre esses novos espaços, colocando a tecnologia de ponta para a concepção e construção, tais como impressoras 3D e cortadores a laser e robótica, nas mãos dos alunos ensino fundamental e médio.

“Esses laboratórios são um lugar de invenção, criação, descoberta e compartilhamento, um espaço de investigação, onde todos aprendem e o conhecimento fica integrado a interesses pessoais e a vida cotidiana”.

  • Oportunidades de desenvolvimento professional para professores são peças chave, surgem de todas as formas e tamanhos, e podem ser conduzidas a partir da estrutura existente

Mudanças rápidas podem fazer professores se sentirem como “eternos novatos”. Como você incorpora o lúdico no desenvolvimento profissional para repensar a sua finalidade, que não se trata de disrupção, mas de facilitar a mudança? Na Nova Zelândia, o The Mind Lab é um laboratório interdisciplinar de aprendizagem que oferece programas de ciência, criatividade e tecnologia para grupos escolares e desenvolvimento profissional para professores. O programa de desenvolvimento profissional oferece um certificado de pós-graduação em Aprendizagem Digital Colaborativa para professores neozelandeses, uma qualificação em tempo parcial para a construção do conhecimento de tecnologias emergentes e metodologias de ensino.

Além disso, a inovação é o catalisador conduzindo alterações a partir de dentro. Na Austrália, o Centro para a Inovação na Aprendizagem de Sydney (SCIL) é uma unidade de inovação incorporada em uma escola K-12. Trabalha-se com uma série de programas e projetos de investigação que visam transformar o pensamento e a prática educacional, tanto no NBCS e na comunidade educacional em geral.

Stephen Harris fundou o SCIL em 2005, com a visão de incorporar a pesquisa e a inovação na prática escolar cotidiana. Este novo paradigma, que visa ajudar as escolas a se mover com coesão “onde a aprendizagem é personalizada e colaborativa, a tecnologia é adaptável, os espaços são radicalmente diferentes, para a mentalidade tradicional, e a comunidade construída sobre relações positivas é o núcleo”. No coração da mudança existe uma cultura de aprendizagem profunda facilitada pela tecnologia, espaço e a pedagogia que capacita e envolve os alunos e professores, para mudar sua prática e se adaptar às necessidades que se identificam.

  • A pesquisa e a Indústria: o grande abismo?

Muitos dos programas existentes não refletem as melhores práticas internacionais. Esta situação é agravada pelo pouco envolvimento entre a pesquisa e a indústria. Na França, a Lab School Network e a Compas estão tentando levar a pesquisa para fora do laboratório e aprimorar o compartilhamento das melhores práticas. Muitas redes EDTECH não se envolvem totalmente com a experiência educacional da comunidade para aumentar os recursos internos, resultando em uma experiência ruim para os empreendedores com poucos efeitos além de networking. Deve-se aproveitar a experiência em vários mundos e comunidades para criar produtos mais inteligentes que levem a educação através de uma abordagem científica em movimento, além do senso comum.

  • Temos de analisar os interesses estabelecidos em algoritmos e compreendê-los para envolver personalização

Personalização é a entrega do conteúdo certo no momento certo. Enquanto análises podem ter uma desvantagem significativa através da mecanização da experiência de aprendizagem, eles podem melhorar a qualidade da educação atual em aulas superlotadas. A questão chave agora é identificar o que os algoritmos realmente levam em conta (respostas passadas ou interesses?), e como se integram ao construto, dada a variedade de estruturas escolares e horários, de escolas laboratório de 365 dias pôr no ano a modelos clássicos.

Uma vez que algo é algoritmicamente ordenado, não se trata de conversação, mas de consumo” (Rob Horning).

Se algoritmos EDTECH trazem instrução e avaliação mais eficiente e personalizada, podemos pensar sobre eficiência como objetivo, bem como os valores e interesses escusos refletidas nos algoritmos. A personalização funciona através da construção de perfis específicos sobre nós: disrupção/revolução, se não nos preocupamos nesse sentido, isto pode recriar relações de poder já em vigor, bem como, preocupação de pais tecnófobos.

EDTECH vai muito além de tendências de investimento. Apesar da recente queda nos financiamentos, devemos nos concentrar em construir os produtos certos, ao invés de uma infinidade de add-ons pré-embalados, que tornam o espaço mais ruidoso a cada dia.

As próximas décadas vão alterar o equilíbrio entre a vida e o trabalho atual e nos fazer eternos aprendizes. Não devemos ser enganados pela “narrativa da empregabilidade” (George Siemens), cujo efeito seria preparar os nossos filhos para a força de trabalho, quando eles devem estar preparados para responder crítica e construtivamente às mudanças.

Audrey e Svenia são os criadores e viajantes por trás do #EDTECHWorldTour, uma turnê de cinco meses e viagem de campo internacional, para aprender com as melhores práticas de inovação em educação e mapear clusters de tecnologia educacional (EDTECH).

 

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Originalmente publicado no Blog Labs da Pearson.

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